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Pimenta desmente vídeo de Bolsonaro

Pimenta desmente vídeo de Bolsonaro

Pimenta desmente vídeo de Bolsonaro – Foto: Reprodução

O deputado Paulo Pimenta desmente em seu site um vídeo publicado por Jair Bolsonaro, aquele amigo do Malafaia e do Marco Feliciano que adora falar mal do PT.

A extrema direita adora mentiras contra o PT.

Com o auxílio das mídias sociais, é só espalhar o boato e ver a repercussão.

Mas o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) resolveu mostrar que Jair Bolsonaro (PP-RJ) mentiu sobre o livro que teria sido distribuído pelo governo.


Nota sobre as mentiras espalhadas na internet pelo deputado Jair Bolsonaro

O deputado federal Jair Bolsonaro publicou recentemente em seu Facebook um vídeo acusando o PT de levar às escolas livros que, segundo ele, ensinariam sexo para as crianças e estimulariam a pedofilia.  Ele inicia o circo político citando o artigo do tucano Marco Antônio Villa que foi publicado recentemente no Globo e comentado no canal “Sem Edições” da Veja. No texto intitulado “A revolução Cultural do PT”, à melhor moda 1964, o jornalista denuncia o “currículo escolar do PT”, afirmando que a política educacional de nossos governos “transformará Mao Tsé-Tung em um moderado pedagogo”: a velha estratégia de caça ao comunismo.  A julgar pelos veículos em que o artigo circulou, pertencentes a grande mídia, – que não perdem uma oportunidade sequer de promover escândalos mentirosos sobre o PT –, já era de se esperar. E não deu outra.

A histeria de Villa contra o PT e a já conhecida estratégia da extrema direita de usar a diversidade e o gênero para fazer palco político – insinuando que, em breve, viveremos em uma ditadura “gayzista” e feminista – serviu de gancho para Bolsonaro usar de má fé e fazer um vídeo mentiroso em tom catastrófico sobre o governo Dilma.   De acordo com o deputado, o Ministério da Educação estaria disponibilizando o livro “Aparelho sexual & CIA” nas bibliotecas escolares. Ele afirma: o “governo de Dilma Rousseff do PT compra centenas de milhares desses livros e distribui pras escolas”. Depois, Bolsonaro mostra, também, a capa da revista “Nova Escola” cujo título diz “Vamos falar sobre ele?” – com foto do menino Romeo usando roupa de princesa-, alegando que o material estaria “dentro das bibliotecas” de escolas públicas.

Bolsonaro mentiu: os livros não são responsabilidade do MEC, nunca foram adquiridos, muito menos disponibilizados nas escolas. O livro “Aparelho sexual & Cia.” é uma publicação da Cia. das Letras, de 2007, e NÃO CONSTA no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), nem no Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE).  Portanto, não é obra recomendada pelo MEC às escolas. O mesmo vale para a edição 279 de fevereiro/ 2015 da revista “Nova Escola”: é uma publicação da editora Abril, a mesma da Revista Veja, reconhecida por seu histórico de ataques ao PT e ao governo. Portanto, claramente, não se trata de uma aliada do PT, muito menos geraria “uma grana para os companheiros”, como afirma Bolsonaro. O deputado não mente apenas sobre o Governo Federal, mas também sobre o próprio livro cuja ficha técnica informa que o mesmo é indicado para adolescentes e não para crianças de seis anos como é dito no vídeo. Ainda, a Editora informa que a obra livro já foi traduzida em dez idiomas e que já vendeu 1,5 milhões de exemplares no mundo. A revista, por sua vez, dirigiu a matéria “Educação sexual: Precisamos falar sobre Romeo…”, aos professores, e discutiu identidade de gênero e sexualidade com qualidade.

Além das mentiras o Deputado, mais uma vez, ocupa seu espaço para propagar homofobia ao destacar trechos do livro em que se levantam os questionamentos: “um menino pode gostar de outro menino?” e “uma menina pode gostar de outra menina?” alegando que, para o autor, isso “parece algo normal”. Assim, tenta estabelecer os valores que determinam a “normalidade”, atuando numa perspectiva contrária ao reconhecimento e ao respeito de todos os gêneros, raças, orientações sexuais, credos e identidade de gênero.

As alegações de Bolsonaro são nada menos que uma expressão da agenda anti-gênero do deputado. Fundamentado em ódio e mentira, ele busca evitar qualquer avanço que promova o reconhecimento e o respeito às diferenças. Embora o MEC não tenha relação alguma com as obras citadas por Bolsonaro, não podemos negar a importância de se debater os temas suscitados por elas, respeitadas as adequações da abordagem por faixa etária. A violência contra a mulher e a homofobia são realidades latentes no Brasil hoje, e causam estupros e mortes. Isso mostra que precisamos discutir gênero nas escolas. Deixar de debater esses temas porque o empoderamento das mulheres e o respeito à população LGBT não estão alinhados à moral religiosa de alguns deputados específicos é uma irresponsabilidade. Além de ferir o princípio da laicidade do Estado – o qual garante que as políticas públicas não sejam determinadas sobre nenhuma visão religiosa em particular -, estaríamos também sendo coniventes com toda sorte de brutalidades físicas e psicológicas decorrentes do preconceito de gênero. Uma pequena abertura da educação ao tema, através da redação do ENEM, por exemplo, culminou em pelo menos 55 denúncias de violência contra a mulher no próprio texto das redações.

A sexualidade também precisa ser discutida nas escolas. Ou vamos desprezar a necessidade prevenção do HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, além da discussão da gravidez na adolescência? É um dever social e cidadão das/dos educadoras/es informar sobre a importância do uso do preservativo e de métodos contraceptivos, por exemplo. Portanto, é uma visão atrasada e conservadora acreditar que debater esse assunto no ambiente escolar seria um incentivo à sexualidade precoce. É, também, uma atitude irresponsável tentar impedir de que adolescentes e jovens disponham de informações sobre DST’s e prevenção da gravidez.

Embora a bancada evangélica e conservadora do Congresso ganhe muita notoriedade com o discurso de que o debate de gênero e sexualidade é algum tipo de doutrinação petista, não podemos permitir que continuem a incitar a perpetuação de atrocidades e do sofrimento de mulheres e pessoas LGBTs e outras que cotidianamente sofrem com esse tipo de violência. Não podemos basear nossas políticas de Estado nessas ideologias medievais.

Como se já não bastasse o ataque ao reconhecimento das diferenças e ao gênero, Bolsonaro ainda deixa escapar sinais de seu ódio de classe. Apesar de ele iniciar o vídeo falando que não matricula sua filha em escola pública devido ao currículo, depois deixa transparecer os motivos reais: “antes escola pública era pra mim, agora é pra pobre”, como se ele fosse uma espécie superior de ser humano. Ele fala várias vezes em tom depreciativo que escola pública é coisa “pra pobre”.  O deputado afirma ainda que os livros refletiriam o interesse do PT em que o pobre não aprenda nada e “no futuro seja apenas um beneficiário do Bolsa Família”. Ele questiona: “O que é mais importante: o cartão do Bolsa Família ou a dignidade do teu filho?”.

Se há duas coisas que podemos afirmar sobre os governos do PT são essas: 1) foram os mais preocupados com a dignidade das pessoas pobres até hoje, 2) fizeram uma expansão histórica da educação no Brasil. A relação que Bolsonaro estabelece entre a moral religiosa, a dignidade e o Bolsa Família chega a ser ofensiva. Dignidade, para nós, é que as pessoas tenham, no mínimo, condições básicas para viver. O programa, tão criticado pelo deputado, tirou 54 milhões de brasileiros e brasileiras da pobreza extrema. Não se alimentar, não ter onde morar, não estudar e nem ter acesso ao Ensino Superior – como foi na era tucana – sim, que é um atentado à dignidade.  Além disso, acusar nosso governo de estar interessado em que “as pessoas não aprendam nada” chega a ser um insulto. Nós criamos 18 universidades públicas e desenvolvemos um grande programa para garantir o acesso de pessoas de baixa renda ao Ensino Superior privado, o PROUNI. Se a dignidade das pessoas não foi uma prioridade para algum governo, isso certamente não pode ser dito sobre nós.

Por fim, é importante ressaltar que é nosso dever cidadão desmentir essa farsa, e as várias outras publicadas pela oposição na tentativa de desmoralizar o PT. Numa sociedade em que o ódio à diversidade é tão latente e a sexualidade ainda é um tabu que gera problemas de saúde pública, é surpreendente que ainda haja parlamentares fazendo palanque através de moralidade. O que realmente importa, que é a integridade e a vida das pessoas, cai no esquecimento diante dessa necessidade de alguns parlamentares de afirmar sua moral violenta e preconceituosa, repleta de machismo, homofobia, lesbofobia e transfobia. Não podemos permitir essas posturas. As pessoas devem ser nossa prioridade.  E o debate de gênero, respeito à diversidade e direitos humanos na escola é fundamental para isso.


3 Comentários

  • “Diversos rótulos existem e são criados diariamente para colar no parlamentar a imagem negativa. Pare e pense, para agirem de determinado jeito é sinal de que estamos incomodando o plano do governo que está acabando com o Brasil. Jamais desistiremos ou voltaremos atrás sobre nossas colocações, que certamente são reflexo do pensamento da maioria das famílias honestas brasileiras.”

    “Existem temas que são exaustivamente apresentados pelos meios de comunicação com o único e exclusivo objetivo de gerar audiência. A perguntas recorrentes sobre homofobia e outros temas ditos ‘polêmicos’ direcionados à minha pessoa, tem, por fim, este objetivo. Acredito, portanto, que a população brasileira mereça ver na pauta de muitos veículos de comunicação, temas que discutam os verdadeiros problemas do País.”

    “Poucos são os que podem sair às ruas e serem abordados pelo cidadão comum.
    Meu gabinete e minha vida pública sempre foram e continuarão sendo, um canal aberto para aqueles que acreditam em meu trabalho após sete mandatos consecutivos. Para mim, isso significa que meu coração está em sintonia com o do meu povo. Isso me basta!”
    (FRASES DE JAIR BOLSONARO)

  • É bem simples verificar como esta o ensino público no Brasil!! Basta ver o assustador aumento da criminalidade e dos homicídios praticados no país nas últimas duas décadas. O ensino público no país só tem o intuito de desconstruir valores familiares e deixar o povo com menos instrução e cultura , para que cada vez mais dependa do estado para sobreviver!! ESTA É A REALIDADE DO PAÍS!!!!

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