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Ombudsman da Folha: delação ou falação?

Ombudsman da Folha: delação ou falação?

Ombudsman da Folha: delação ou falação? – Foto: EBC

Ombudsman da Folha, Vera Guimarães tocou numa ferida da grande mídia. Porque trocar falação por delação não é mais um erro displicente. É proposital e de má fé.

Vera Guimarães Martins publicou artigo como ombudsman da Folha e detalhou a “falação” e não delação ocorrida no Paraná. É um grito solitário de uma jornalista que deve mostrar ao seu jornal os equívocos que ele está cometendo.

Jornalistas estão confundindo delação com falação para, como disse ela, “produzir o desgaste inaceitável e desnecessário à imagem das pessoas alvo do texto (matéria)”.

Na Folha:


Falação premiada

1.Domingo 10: “Ex-deputado que negocia delação cita Wagner e Aécio enunciava a principal reportagem de Poder. O texto relatava que o ex-deputado Pedro Corrêa adiantara informações capazes de comprometer cerca de cem políticos – entre eles o senador Aécio Neves e os ministros Aldo Rebelo (Defesa) e Jaques Wagner (Casa Civil)”.

“Não há nenhuma informação consistente sobre o contexto, tão somente se destacam nomes supostamente mencionados, sem nenhuma prova, indício ou suspeita”, reclamou, com razão, a assessoria do ministro da Defesa (leia abaixo, nota ao fim deste texto).

A inconsistência já havia sido apontada na crítica interna: a afirmação não foi feita em depoimento oficial, mas em negociação na qual o ex-deputado tenta há seis meses, sem sucesso, fechar um acordo de delação premiada. A razão, segundo a reportagem: “Investigadores disseram que Pedro Corrêa até agora não entregou provas convincentes para boa parte dos episódios relatados. A defesa sabe que, para o acordo vingar, os termos precisam ser taxativos e concretos”.

Carece perguntar então: se assim é, por que o jornal deu tanto espaço e destaque à narrativa? Por que os nomes dos políticos foram parar no título e no subtítulo, enquanto a ressalva sobre a confiabilidade da história foi relegada ao fim do texto?

Resposta do editor de Poder, Fábio Zanini: “O ex-deputado sempre foi considerado potencial testemunha-chave na Lava Jato, dado o fato de ter presidido o PP, partido que indicou Paulo Roberto Costa [a uma diretoria da Petrobras]. O que ele fala, mesmo sem termos muitos detalhes, me parece relevante”.

2. Terça (12):Cerveró liga Lula a contrato investigado pela Lava Jato, diz a manchete da Folha. Na sequência, outras duas chamadas: Ex-diretor cita Renan Calheiros. Delator fala em propina sob FHC. “Em que critério jornalístico, e não político, cabe a diferença de destaque dada à notícia sobre Lula em relação à de FHC? Obviamente em nenhum”, escreveu Luiz Sérgio Canário, ecoando outras críticas com o mesmo teor. Não é bem assim.

Goste-se ou não, aqui a diferença se ancora, sim, em padrões jornalísticos. A revelação sobre FHC era furo do Valor Econômico – ou seja, era notícia do dia anterior, que foi recuperada e exibida com destaque no site da Folha em boa parte da segunda-feira. As outras duas eram novidade. “Além disso, nestes dois casos havia menção à participação individual do então presidente Lula e do senador Renan Calheiros em situações sob investigação. Na citação sobre suborno na gestão tucana, não há referência a quem, no governo ou na Petrobras, teria recebido dinheiro”, declara Vinicius Mota, secretário de Redação/Edição.

Acrescento outra razão que considero fundamental, mas que os jornais nem sempre respeitam, como se vê no primeiro item. Pelo que li, a menção ao governo FHC foi feita durante a negociação prévia de delação (daí, talvez, a mesma vagueza do relato de Pedro Corrêa), e não em depoimento, como no caso de Lula. Na quinta (14), o Valor relatou que Cerveró mudou parte de um relato prévio sobre a refinaria de Pasadena, trocando o nome da empreiteira que repassou a propina e acrescentando uma acusação ao senador petista Delcídio do Amaral, agora preso. É uma mostra do quão movediço é o terreno pré-delação.

3. Sexta (15): Lobista reconhece assessor de Palocci que teria recebido R$ 2 mi, tasca a Folha em título interno. O lobista em questão é Fernando Baiano, que, em acareação, identificou Charles Capella como “o interlocutor” que estava em uma casa de Brasília onde ele se reuniu para acertar a doação ao caixa dois da campanha de Dilma (2010). No parágrafo seguinte, porém, Baiano diz que Capella não participou da reunião – ou seja, não “interlocutou” coisíssima alguma.

(…)

É de se notar que, no último parágrafo, o texto chega a informar que “investigadores” ouvidos pela Folha disseram que, embora Pedro Corrêa venha narrando o enredo de uma ‘grande crônica política’, ele até agora não entregou provas convincentes para boa parte dos episódios relatados. Mesmo assim, essa informação não foi suficiente para que a Folha de S.Paulo analisasse os fundamentos da notícia para sua publicação

Em vez de informar o leitor, a matéria produziu apenas o desgaste inaceitável e desnecessário à imagem das pessoas alvo do texto e o consequente descrédito para um veículo jornalístico, do qual se espera, ao menos, o cumprimento do critério básico de apurar o que noticia.


3 Comentários

  • É Sr. Roberto Brandão qualquer pessoa que enxerga um pouco percebe que a mídia podre detesta ver um pobre ocupando a cadeira de presidente tanto quanto detesta ver um negro um pobre sentado num banco de universidade independente de qual partido for lugar de corrupto é na cadeia só que com provas e não por denuncias vazias feita por cafajestes que não merecem crédito só que essa mesma mídia podre faz de tudo para blindar os corruptos da oposição como diz o juiz de terceira instância isso não vem ao caso mas nós que enxergamos estamos de olho neles.

  • Infelizmente, hoje, aos meus 72 anos não consigo apontar ‘um político sequer’ – nessa ‘salada de partidos’ ao qual eu confiaria!… Reconheço que uma operação ao estilo ‘Lava jato’ de há muito se fazia necessária para tentar conter o ‘câncer – chamado corrupção’, no Brasil, desde seus primórdios. Todavia, somente cego não vê, ou melhor não quer ver, o quão tendenciosa se tornou ao ‘blindar’ quaisquer políticos (não vem ao caso) do psdb, e, ao tentar liquidar os outros partidos, principalmente o pt e seu líder maior Lula, usando para isto a cumplicidade da grande mídia da ‘ultradireita’ com os “vazamentos” mais esdrúxulos, de má fé e inconsistentes, porém altamente ‘degradantes / desgastantes’ às pessoas – (políticos / empreiteiros / executivos, etc.) – alvos. Na minha pequenez, como cidadão comum e de pouco estudo (4º. ano primário), porém com a experiência que a vida me deu, julgo não ser esse o caminho para se desmantelar essa ‘politicalha’ que, de há muito, tomou conta do País. Creio que a ‘Lei e a Justiça’ deveria ser ‘rigorosíssima’ para com quaisquer políticos e servidores públicos, porém com equidade, abrangência e sem distinção de ‘cor, credo ou partido’.

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