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Do masoquismo do artigo de Dilma na Folha

Do masoquismo do artigo de Dilma na Folha

Do masoquismo do artigo de Dilma na Folha – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Dilma publicando texto de fim de ano na Folha de S.Paulo é o mesmo que um pedido de desculpas por ser aviltada o ano inteiro entre matérias e noticias as mais capciosas.

A comunicação estratégica da imagem da presidenta Dilma e do governo é um desastre. Como relações públicas, sou obrigado a questionar: o que pode trazer de resultados satisfatórios para a Dilma publicar um artigo na Folha de S.Paulo desejando um ‘Feliz 2016’ aos seus detratores?

É tão surreal quanto a promessa dos governos petistas de democratizar os meios de comunicação; tão sem sentido quanto o primeiro dia de Lula eleito ao lado de William e Fátima, no JN, ou Dilma fazendo omelete no Mais Você, da Ana Maria Braga.

Depois de apanhar o ano inteiro sob a aba do ‘Brasil em Crise’, ‘Petrolão’ e outras invencionices editoriais da Folha, Dilma publica artigo no jornal que há pouco mais de dois meses lhe concedia um inapelável ultimato.

Para quem ela escreveu este artigo? Para aqueles que se vestem de verde e amarelo e saem às ruas, aos domingos, para pedir seu impeachment? Porque são eles que leem a Folha e não hesitaram, no primeiro dia do ano, em achincalhar o governo e a presidenta.

Não há razão plausível para esta estratégia.

O governo tem acesso a múltiplas plataformas de comunicação. Não deveria se ajoelhar diante da Folha ou nenhum destes grandes jornalões que não publicam uma matéria sobre o governo sem que se valha da tendência capciosa dos canalhas.

Não significa dizer que a presidenta não devesse publicar o artigo. A questão é o espaço e o veículo utilizados. Cabe lembrar que o acesso ao texto foi restrito e somente os assinantes da Folha puderam lê-lo. É de fato surreal.

Não é desta maneira que o governo vai conseguir adeptos entre aqueles a quem desagrada. Também não é desta forma que a presidenta vai alcançar a popularidade para governar. A receita para isso é continuar trabalhando e fidelizar as bases sociais que lhe ofereceram um novo mandato em 2014.

Não há prestimosidade alguma da Folha ao receber o artigo da presidenta porque o jornal sabe a quem fala e sabe quem são os seguidores do seu discurso. São justamente aquelas pessoas que deploram os governos petistas, as suas políticas, o Lula, a própria Dilma.

Leia também: Folha e O Globo apostam na derrocada de 2016

É como atirar alguém aos leões quando eles estão famintos.

Não se passou nem mesmo 24 horas e lá estava a Folha prevendo 2,2 milhões de empregos perdidos em 2016. Afundava as esperanças do governo, os votos da Dilma de ‘feliz ano novo’ e esta estratégia burlesca de comunicação fadada ao fracasso.

E é bom que o autor desta façanha não invente outra.

1 Comentário

  • em 2007 Aecio Neves atravez do diário oficial regularizou
    a situação de 98000 tercerizados que o ministro casou e mandou até 31/12/2015 tornar-se sem efeito

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