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Bancadas não representam interesse popular

Bancadas não representam interesse popular

Bancadas não representam interesse popular – Foto: Lula Marques/Agência PT

Partidos perderam representação na Câmara dos Deputados e no Senado onde as bancadas se estabeleceram para representar setores conservadores da sociedade.

Você já ouviu falar sobre a Bancada da Bala? E da Bancada dos Bancos, dos Latifundiários, da Bíblia e do Boi? Sabe quem são os deputados pertencentes a cada uma destas bancadas? O que eles defendem? Como isso pode amplificar a crise política? De que maneira as decisões de Eduardo Cunha o colocam como responsável pela maioria destas bancadas?

As bancadas são originadas de grupos ou setores conservadores da sociedade brasileira conseguiram eleger deputados e senadores para cuidar de seus interesses na aprovação de leis, alteração de medidas provisórias, favorecimentos de todas as ordens no legislativo federal. E empresas ou setores podem eleger deputados ou senadores? Evidente que não. Acontece que estes grupos poderosos financiaram campanhas milionárias para eleger parlamentares e, em seguida, reivindicaram o trabalho deles não para a coletividade, mas para seus próprios interesses.

A Bancada da Bala é uma das organizações mais poderosas dentro da Câmara. Ela atuou, por exemplo, a favor da redução da maioridade penal e resgatou a discussão sobre o Estatuto do Desarmamento; deputados querem estabelecer leis que favoreçam o armamento da população aos moldes da lei americana. Entre os parlamentares reconhecidamente membros desta bancada estão o Alberto Fraga (DEM-DF), Jair Bolsonaro (PP-RJ), Rogério Peninha (PMDB-SC), Laudívio Carvalho (PMDB-MG), entre outros.

A Bancada do Boi, também conhecida como ruralista, tem o maior número de parlamentares: são 109 deputados e 17 senadores, segundo informações da Radiografia do Novo Congresso, atualizada a cada nova legislatura pelo Diap. Com a ascensão de Kátia Abreu ao ministério da Agricultura, os ruralistas ganharam ainda mais espaço. No senador tem como expoentes o oposicionista Ronaldo Caiado (DEM-GO) e, na Câmara, o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Entretanto, de todas estas bancadas que defendem os interesses de empresas, a da Bíblia tem uma característica única: ela defende as igrejas e, sobretudo um fundamentalismo que por pouco não transformou a Câmara em assembleia religiosa. Dos interesses desta bancada cuida o próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ao seu lado estão o famigerado pastor Marco Feliciano e outros asseclas capazes de aprovar as pautas do Cunha num piscar de olhos.

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Existem suspeitas de que Eduardo Cunha tenha cada um destes deputados em suas mãos. A crise política é explicada, de certo modo, pelo “balcão de negócios” que se tornou a Câmara dos Deputados. Há indícios claros de que Cunha teria alterado MP para beneficiar o banco BTG Pactual, de André Esteves. Cunha favoreceu a indústria de transgênicos quando permitiu que os rótulos dos produtos não trouxessem o símbolo da transgenia.

Como se vê, o presidente da Câmara atua em pautas de todos os interesses. Quando os deputados se vangloriavam, em meados do ano passado, que a Câmara tinha um ritmo de votação acelerado, podia-se ler nas entrelinhas que a história não era bem assim. Eles estavam votando numa velocidade espantosa, mas de acordo com os seus interesses.

Sequestrada por deputados que são verdadeiros sectários das artimanhas das bancadas e da perversidade de Cunha, a Câmara caminha para um momento de limpeza ética. E esta limpeza depende das investigações do MPF e das sentenças do STF.

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