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Por que os ataques são dirigidos agora ao Jaques Wagner?

Por que os ataques são dirigidos agora ao Jaques Wagner? – foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Delatar, vazar, vazar conteúdo, vazar contato, delatar, vazar metade. Processo da Lava Jato coincide com movimento que tenta acertar agora o ministro Jaques Wagner.

A seletividade dos vazamentos da Lava Jato é assustador. Vaza-se de diferentes formas e quantidade, dependendo de quem seja o alvo; muitas vezes abrem o conteúdo, outras provocam estardalhaço na mídia por um simples contato, uma ligação, um sms, uma mensagem oculta.

A bola da vez é Jaques Wagner.

Ele chegou à Casa Civil para impor respeito e travar um diálogo objetivo entre governo, sociedade e oposição. Dilma não podia ter feito melhor escolha. Wagner foi um dos maiores governadores da história da Bahia, senão o melhor.

Apagou os rastros do carlismo no interior do Estado e criou pontes jamais existentes entre a administração central e o interior. E sempre foi um homem de diálogo.

Na Bahia, durante oito anos, ele reestruturou um Estado sucateado, reergueu a Cesta do Povo (rede estatal de supermercados) e fez intervenções viárias na capital Salvador que alteraram a mobilidade urbana. Na agricultura, fez o sertanejo ampliar seus horizontes com a criação de animais, o incentivo à plantação, os novos mecanismos de irrigação.

Wagner é aquilo que sobrou do PT em sua mais intocável essência social. E sua chegada ao governo Dilma, para atual na organização política, é um recompensa, mas, acima de tudo, um desafio.

É um desafio às forças que tentam desestruturar o governo para que ele não ande. E se o governo não anda o país para. A engenhosidade deste processo macabro se apresenta diariamente na mídia.

O vazamento de uma mensagem em que se conjectura o envolvimento do ministro da Casa Civil em escândalo de corrupção e a notícia da insuficiência econômica de uma dona de casa que não consegue comprar um quilo de batata inglesa são duas ramificações de um mesmo processo. É o processo de corrosão do governo provocado não por razões naturais, mas por influência de setores conservadores que não aceitam mais o investimento em políticas públicas.

E como o impeachment não logrou, a Lava Jato volta ao centro das atenções para corroer dignidades doa a quem doer; para mostrar que delegados federais são mais fortes do que o ministro da Justiça; para causar espanto com o fato de que um juiz federal passou a canequinha para manter uma operação policial em pleno vapor.

Para vazar.

É sempre bom se perguntar por que alguns vazamentos são feitos pela metade. Ou apenas o fato de que determinado político manteve contato com empreiteiro. E se não fosse deste modo, como poderia a imprensa conjecturar, fazer aquele jornalismo sem fontes? Como poderiam os jornalões estampar manchetes sobre um conteúdo sem importância? Para que saber ao certo as datas?

A indústria da delação não se vale de datas; elas podem até não coincidir. Afinal, as palavras de um delator, ainda que um ladrão, valem mais do que mil documentos.

Limar o Wagner é desestruturar o governo em momento de visível fragilidade.

Nunca foi tão assertivo dizer que a imprensa é um partido ideológico de oposição.

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