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Influência midiática: a Zelotes antes e depois

Influência midiática: a Zelotes antes e depois

Influência midiática: a Zelotes antes e depois – Foto: Nossa Política

Basta seguir a cronologia dos fatos para perceber como a Operação Zelotes foi alterada e seu roteiro de investigações desvirtuado. É a influência midiática.

Em março de 2015 não tinha como esconder que os agentes da PF, integrantes da Operação Zelotes desbarataram uma quadrilha especializada em anular e reverter junto ao Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, multas bilionárias devidas por seus “clientes” por sonegação fiscal.

Segundo informações, os casos com indícios mais consistentes de corrupção envolviam os grupos Gerdau, Rede Brasil Sul de Comunicações – RBS, companhias Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio, Mundial-Eberle, Ford e Mitsubishi, além de instituições financeiras, como Santander e Safra. Entretanto, a imprensa exercia seu poder simbólico para sufocar o escândalo.

A ideia de que a sonegação não é crime ou é um crime menor invadiu as manifestações em verde e amarelo pelo impeachment da presidenta Dilma. Ou seja, sonegar no Brasil não é perigoso, principalmente para as grandes corporações que, aliás, desfrutam de boa reputação e são geralmente apontadas como exemplo de eficiência e boa gestão. Aos poucos a Zelotes foi suprimida por discussões menos centralizadas sobre a corrupção e que colocavam a responsabilidade dos crimes sobre a ineficácia do Carf.

Um período de vazio nas investigações só foi quebrado em setembro de 2015, quando novas buscas animaram todos àqueles que queriam ver o resultado daquela operação. Com estas buscas os investigadores esperavam ter acesso a materiais que pudessem provar o envolvimento de 12 empresas e 11 pessoas físicas com o esquema fraudulento que lesou os cofres públicos com o não recolhimento de impostos.

Em outubro, eclodem as denuncias contra o ministro do TCU, Augusto Nardes. Documentos apreendidos pela Operação Zelotes, obtidos pela Folha, revelam que o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes ainda era um dos donos da empresa Planalto Soluções quando ela fechou uma parceria com uma das principais firmas de consultoria envolvidas no escândalo do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

A operação muda de curso e sofre alterações; a principal delas é que o foco da saiu do encalço de grandes grupos econômicos – como Rede Globo (RBS), bancos e empreiteiras – e de políticos já protegidos pelo foro privilegiado, e passou a perseguir empresas de membros da família do ex-presidente Lula (PT). Foi o suficiente para transferir a Zelotes das tímidas páginas de jornal da mídia impressa, para os espaços de destaque, aqueles destinados às denúncias bombásticas, mesmo que vazias.

Mesmo que os blogs progressistas tenham se esforçado para mostrar que a operação tinha sido desvirtuada, a Zelotes só provava que era mais do mesmo, igual, por exemplo, a Lava Jato. Tudo mudou. E os empresários acusados de oferecer benesses a funcionários públicos em troca da “domesticação” do Leão da Receita só têm a agradecer. As denúncias criminais contra eles não têm prazo para seguir adiante. Já no caso do suposto comércio de leis, novo foco da Zelotes, espera-se algum resultado até antes do Natal, em virtude das prisões decretadas na segunda 26 e das buscas e apreensões autorizadas.

A mídia colocou a família do Lula no roteiro das investigações e o ex-presidente foi até convidado a depor. A PF se utiliza de métodos medievais para extrair acordos de delação com um homem de quase 80 anos, o Mauro Marcondes. Tal é a pressão que o procurador Frederico Paiva disse não entender o motivo pelo qual o Lula teve de depor. É fácil entender. Em todas as fases da Zelotes citadas nesta matéria temos a presença da mídia a interferir na opinião pública e no direcionamento das investigações. Foi o antes e o depois de uma operação policial que alterou os processos no meio do caminho.

Enquanto isso é preciso perguntar por onde anda o ministro Zé Cardozo.

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