Blog do Mailson Ramos

A semana em que o STF enterrou o sonho golpista

A semana em que o STF enterrou o sonho golpista

A semana em que o STF enterrou o sonho golpista – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Em apenas sete dias, o jogo virou: manifestações de direita mirraram, manifestações de esquerda cresceram e o STF jogou em vala comum o sonho golpista.

Nesta semana o Golpe foi enterrado. Porque impeachment de motivos inventados só pode ser Golpe. Não há nada contra a presidenta Dilma, cuja idoneidade é inquestionável. O mesmo não se pode dizer das biografias dos oposicionistas que não resistem a uma pesquisa no Google.

O discurso da presidenta Dilma, na Conferência da Juventude; a decisão do STF, numa reação a Fachin; e o pedido de Janot para degolar o Cunha colocou numa cova rasa um impeachment sem sentido.

Sobrou o choro para Aécio Neves, Gilmar Mendes, Cunha, Temer e toda trupe de reacionários que pensam controlar o país sob a égide da imprensa manipuladora.

Na Câmara dos Deputados se salvam poucos.

A maioria dos parlamentares depende das benesses escusas e favorecimentos das empresas financiadoras de suas campanhas. E aqueles que pertencem ao círculo do Cunha foram capazes de sair no braço para tentar barrar a votação da admissibilidade do processo de cassação na Comissão de Ética.

Os deputados foram: Manoel Júnior (PMDB-PB), Wellington Roberto (PR-PB), Paulinho da Força (SD-SP), Cacá Leão (PP-BA), Erivelton Santana (PSC-BA), João Carlos Bacelar Filho (PR-BA), Ricardo Barros (PP-PR), Vinicius Gurgel (PR-AP) e Washington Reis (PMDB-RJ).

Estes nomes têm de ser marcados e os deputados devem assumir a responsabilidade por se aliar a um chantagista e achacador como Eduardo Cunha; quem aos porcos se mistura, farelo come.

O Cunha não tem freios e muito menos escrúpulos.

Já planeja reagir contra a decisão do STF que proibiu a votação secreta para chapas avulsas, deu poderes decisórios ao Senado e revogou as medidas utilizadas até agora pela Câmara para o rito do impeachment.

Aquela história de que ele não largaria o osso facilmente era a mais acertada das previsões.

Os despojos do poder que exerceu ao longo de quase um ano foram necessários para sua manutenção até aqui. E neste momento, Cunha depende apenas da oposição para sobreviver, ainda que Aécio negue, ainda que o Mendonça Filho esconda que sempre foram aliados, ainda que Carlos Sampaio tenha exagerado em seu teatro anti-Cunha, no púlpito da Câmara.

Agora, mais do que nunca, os interesses de Cunha convergem para os da oposição e contra a decisão do STF. Eles não perdem o embalo. O programa da oposição é aquele do quanto pior melhor.

Leia também: Janot: Cunha, presidente da Câmara, é delinquente

E são capazes de se aliar a um ministro que critica o próprio Supremo. Gilmar Mendes falou em bolivarização do STF. Por muito menos o Delcídio está encarcerado.

Além do desrespeito, da falta de classe e decoro, da parcialidade nos julgamentos, Gilmar Mendes participa de conchavos com a oposição. Quem não se lembra daquele famoso café da manhã com o Cunha e o Paulinho da Força?

Gilmar foi mais uma herança maldita deixada por FHC. Bem que o Dallari avisou!

E não fosse a força do povo nas ruas, em plena quarta-feira, o resultado não teria sido satisfatório para a democracia.

No dia anterior, Luiz Edson Fachin se tornou herói da direita ao decidir pela manutenção do rito de impeachment promovido por Cunha.

Mas a justiça ainda existe. E o STF, como se sabe, jogou em vala comum os mais torpes e recentes ataques à democracia.

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