Blog do Mailson Ramos

Duas manifestações: a que foi e a que será

Duas manifestações: a que foi e a que será

Duas manifestações: a que foi e a que será – Foto: Paulo Pinto/ Agência PT

As manifestações pró-impeachment perderam adesão ao longo do tempo; na próxima quarta-feira (16) é dia dos defensores do governo irem às ruas.

As imagens das manifestações favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma são reflexos sintomáticos do desvario, da ausência de conhecimento político, da incivilidade fragmentadas em gestos os mais grosseiros.

A adesão diminuiu e as pesquisas mostram que a grande maioria dos manifestantes se dizem eleitores de Aécio Neves.

Embora esta constatação nada tenha de surpreendente, ela traz um conteúdo simbólico: o impeachment não está nas ruas, como bem deseja a imprensa, mas reduz-se a uma pequena parcela do eleitorado.

Esmiuçando sem muitos esforços esta análise, é possível dizer que os manifestantes são leitores da Veja, assistem atentos ao JN e deglutem o produto da mesquinha fábrica de factoides presente hoje nas redes.

Mesmo com a força propagandística da TV e de outros veículos da velha imprensa, o que seria um novo desfile de caras-pintadas se transformou na obstrução de via pública protagonizada pelos irresponsáveis do MBL.

E numa transluzente disputa de forças, os reacionários anti-Dilma não conseguiram levar às ruas o cartaz do impeachment político. Este cartaz que na próxima quarta-feira (16) será rasgado nas fileiras do Congresso Nacional e nas ruas deste país.

Porque se os manifestantes favoráveis ao impeachment não respeitam a democracia e querem fazer valer no grito e na força a sua vontade, serão obrigados a esperar o direito do voto, nas urnas, em 2018.

Não adianta espernear. Não será um bando de bitolados mais forte do que a Constituição Federal e a democracia. No grito não vão ganhar!

E decerto não construirão eco no Congresso Nacional ainda que esta legislatura, maculada pelos escândalos de corrupção, seja a porta aberta para esquemas os mais escusos.

Por lá ainda existem políticos como Eduardo Cunha.

Contudo, parece muito claro que o impeachment, nascido de uma chantagem e por vingança política, não tem base jurídica alguma.

Saiu do Congresso para envolver as ruas, mas retornará mais débil.

De algum modo, a presidenta Dilma se restabelece diante do povo. O processo de impeachment pode atenuar a crise, mas, por outro lado, faz acercar à presidenta uma esquerda mais coesa e uma militância fora de série.

Leia também: Pedaladas: TCU pode inocentar a presidenta Dilma

Dilma está impedida de governar há mais de um ano.

Estes turnos consecutivos patrocinados pela imprensa e dirigidos pela oposição não permitem que ela governe.

Chegou o momento de finalizar esta luta e fazer o Brasil andar.

Chegou o dia de mostrar como se faz uma manifestação de verdade.

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