Blog do Mailson Ramos

Enquanto Cunha chantageia, Janot ignora

Enquanto Cunha chantageia, Janot ignora

Enquanto Cunha chantageia, Janot ignora – Foto: J. Batista/Câmara dos Deputados

O Brasil paga caro pelo Congresso que elegeu; paga uma fortuna por ter um governo que se ajoelha; paga caríssimo por ter na Câmara um presidente como Eduardo Cunha.

A Câmara dos deputados está sob o domínio de um chantagista de primeira linhagem. A corda que ora aperta, ora afrouxa sobre o pescoço de Eduardo Cunha tem os movimentos alinhados aos trambiques que fez e às chantagens que faz e fará para se manter no cargo.

Não há outra palavra. Isso é gangsterismo.

Enquanto o Ministério Público do Janot faz vistas grossas, o Cunha chantageia, dissimula, coloca o governo de joelhos.

O PT caminha em via dupla com receio de mandar o Cunha para a vala – como deseja sua militância –, mas amarga a possibilidade de que com isso a Câmara dos Deputados trave.

Além do mais, e mesmo com as mãos sujas, Cunha tem um pedido de impeachment na manga. Esta é uma arma menos perigosa, porque não há moralidade num pedido de afastamento despachado por um desmoralizado.

E cabe perguntar mais uma vez: se Delcídio e Esteves estão presos, por que não Cunha?

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Existem questões difíceis de responder neste país.

A queda de Eduardo Cunha poderia, em primeiro plano, configurar o travamento das sessões na Câmara; seria uma hecatombe? Não haveria como aprovar as medidas do ajuste?

E que é pior? Lutar ou cair ajoelhado, inerte?

O governo – e porque não dizer o Brasil – tem uma encruzilhada em seu caminho e ela se chama Eduardo Cunha.

Vejam só o que o dinheiro sujo é capaz de comprar.

Mergulhado até o pescoço nos mais ardilosos esquemas de corrupção; inexplicavelmente livre para coagir os deputados da Comissão de Ética; forte o bastante para exigir dos seus asseclas, amedrontados, que votem de acordo com os seus interesses, Cunha vai readquirindo poderes quando se pensava estar no fim.

E o Brasil cai mais uma vez nas mãos de um sujeito que não tem escrúpulos, capaz de alterar trechos da MP 627 após receber orientações via e-mail do BTG Pactual, com quem tinha ligações diretas para troca de informações. A notícia foi publicada hoje (2), em O Globo.

O Janot assiste.

Os ministros do STF se recostam em suas poltronas confortáveis.

Os deputados, divididos entre os dominados pelo Cunha e os poucos com coragem para enfrentá-lo, vivem dias de acirrada disputa.

O governo retorna à sala de espera. Para pensar na difícil escolha entre sobreviver com uma doença ou extirpá-la e definhar junto com ela.

 

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