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Em entrevista à Folha, Aécio lança Cunha ao mar

Em entrevista à Folha, Aécio lança Cunha ao mar

Em entrevista à Folha, Aécio lança Cunha ao mar – Foto: George Gianni/ PSDB

Aécio Neves concedeu entrevista à Folha de S.Paulo e falou sobre diversos temas. Ao que parece não vai ceder espaço ao Temer e manterá a política do quanto pior melhor.

Aécio entende que a situação é sacrificante, mas necessária. Significa dizer que o Brasil é que se exploda, mas a crise tem de ser resolvida. É discrepante e contraditório. Como salvar o país da crise intensificando-a?

Ele também nega que o PSDB tenha apoiado o Cunha. É evidente que apoiou, mas não apenas isso. Utilizou-se do poder do presidente da Câmara para desestabilizar o governo com as pautas bomba e com os esdrúxulos pedidos de impeachment.

No Estadão, matéria de 13 de outubro, a cobrança dos senadores, pares de Aécio, sobre seu silêncio em relação ao Cunha.

Cobrado em plenário por senadores do PT por silenciar-se diante das denúncias que envolvem o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta tarde que caberá ao peemedebista se defender das “gravíssimas acusações” que recaem sobre ele.

Causa estranhamento, na entrevista abaixo, a afirmativa do tucano ao dizer que “no momento em que vieram as denúncias, fui o primeiro a dizer que eram graves”.

Ora, todos os políticos de influência, da oposição e da situação, já haviam comentado sobre o assunto. Aécio foi um dos últimos a dizer aquilo que saiu da boca de nove entre dez parlamentares.

O senador deve ter se esquecido de que seu principal aliado na Câmara, o deputado Carlos Sampaio, concedeu a Cunha o benefício da dúvida, quando surgiu o escândalo das contas na Suíça.

Na Folha, Aécio tenta tornar complexas situações muito simples. Podia dizer que o PSDB e Cunha sempre estiveram de mãos dadas.


(…)

O PSDB se aliou à agenda de Eduardo Cunha. O partido demorou a perceber a quem estava se alinhando?

Ouço a crítica com humildade, mas tenho o dever de relembrar, até para registro histórico, o comportamento do PSDB. O PSDB não apoiou a candidatura do Eduardo Cunha à presidência da Câmara. Apoiou a do Júlio Delgado (PSB-MG).

Quando Cunha vence, se coloca como oposição e oferece, à luz do dia, espaços de atuação política ao PSDB – relatorias, vagas em CPIs… Tudo à luz do dia. No momento em que vieram as denúncias, fui o primeiro a dizer que eram graves. Quando vieram as respostas, também disse que elas eram insuficientes e que, não havendo justificativa aceitável, a nossa posição era pelo afastamento do presidente da Câmara. Essa é a posição que o PSDB tem.

Hoje ele atrapalha o andamento do impeachment?

Acho que a situação dele chegou a um ponto insustentável. As denúncias se avolumam, as respostas são muito pouco consistentes e o processo do Eduardo Cunha, de alguma forma, se coloca como diria o poeta da minha terra: ‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’. Tem o Eduardo Cunha no meio do caminho e essa questão terá que ser resolvida.

O presidente do Senado também é investigado.

Tem que ser apurado. O que houve é que o episódio do Eduardo Cunha contaminou excessivamente outros processos na Câmara. Existe mais luz, digamos, colocada sobre ele. Mas todos têm que responder. Vai caber ao procurador-geral da República e em última instância ao Supremo. Se acatar as denúncias, acho que a presidência das Casas fica incompatível com a situação de réu. Mas isso ainda não ocorreu.

O sr. fala do impeachment, mas ressalta a possibilidade de cassação no TSE. Essa instabilidade não é sacrificante?

Sacrificante é não se cumprir a lei. Esse é o pior dos desfechos. O julgamento do Supremo que estabeleceu o rito do impeachment jogou por terra o discurso do golpismo. Não há golpismo com a participação do STF. E as coisas correrão paralelamente. Por isso a preocupação do vice-presidente Michel Temer em tentar descolar sua prestação de contas eleitoral da presidente, o que, ao meu ver, não tem sentindo.


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