Blog do Mailson Ramos

2015: os fatos políticos de um ano inacabável

2015: os fatos políticos de um ano inacabável

2015: os fatos políticos de um ano inacabável – Foto: Nossa Política

Um ano inacabável e de fatos políticos surpreendentes. Assim é o ano de 2015 que chega aos seus últimos dias marcando a história com acontecimentos ímpares, para o bem e para o mal.

Mais do que a passagem cronológica destes 365 dias, precisamos compreender também a passagem dos fatos, das noticiais que marcaram o cotidiano da sociedade. E é interessante notar como se estabeleceram, em função do agendamento, as notícias sobre a política brasileira no ano de 2015.

Muito mais do que uma retrospectiva dos fatos, as pessoas devem fazer uma perspectiva de como será o ano de 2016. Sobre a política brasileira – e da maneira como se finda 2015 – não se pode esperar um ano tranquilo.

Após a laboriosa vitória nas urnas em outubro de 2014, a presidenta Dilma Rousseff foi finalmente diplomada em janeiro, para mais um mandato de quatro anos. A oposição tentou até o último instante impedir a diplomação que determinaria a confirmação dos resultados das urnas.

Não conseguiu. Dilma assumiu a presidência.

O que parecia uma trégua da oposição após a posse da presidenta se tornou um pesadelo para os governistas, em fevereiro. Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. Começava a se notar os reflexos de uma das legislaturas mais conservadoras desde a redemocratização.

Cunha avançou sobre o governo com pautas massacrantes; em nome dos interesses das empresas que o patrocinaram em sua escalada à cadeira de presidente da Câmara. Era o começo de uma crise institucional que depois se transformaria na mais grave crise política dos últimos tempos.

Esta crise proporcionou uma leve ruptura entre os poderes da República. É possível dizer que ela evoluiu para uma crise econômica reforçada pela recessão mundial. E o cenário se agravou quando manifestantes de direita foram às ruas pedindo o impeachment da presidenta Dilma. Era março. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes fizeram grandes passeatas nos bairros mais ilustres das capitais brasileiras vociferando contra Dilma, Lula e o PT.

Em abril, os manifestantes foram novamente às ruas. Este movimento aconteceria nos meses de agosto, novembro e dezembro, sempre com menor intensidade e participação. Diferentemente das manifestações realizadas pelos professores paranaenses contra o governo de Beto Richa. Abril seria marcado pela violência das forças de Estado do Paraná contra docentes que reivindicavam a não aprovação de um projeto de lei na assembleia legislativa.

A presidenta Dilma Rousseff, pela primeira vez, não discursou na TV no 1º de maio. Foi às redes sociais para pedir apoio ao governo e reforçar os valores trabalhistas do seu mandato. As intervenções da presidenta não alteravam o cenário e nem mesmo a Convenção Nacional do PT, realizada na cidade de Salvador, conseguiu reanimar a estrutura partidária do governo.

E de repente estoura o vídeo do delator Júlio Camargo sobre os US$ 5 milhões recebidos por Cunha em esquema de propina envolvendo a compra de sondas da Petrobras. O presidente da Câmara se disse perseguido por causa do vazamento do vídeo e anunciou que a partir de então faria oposição ao governo.

Ainda assim, com toda a discussão sobre o escândalo dos US$ 5 milhões, houve quem empunhasse um cartaz nas manifestações de 16 de agosto com os seguintes dizeres: “Somos todos Cunha”.

A Operação Lava Jato seguia sua intensa empreitada contra a corrupção, com a nova perspectiva do estrelismo dos procuradores messiânicos e do juiz Sérgio Moro, intensamente paparicados pela imprensa brasileira.

Seriam a Lava Jato e o STF a estabelecer a prisão do senador Delcídio Amaral após divulgação de áudio bomba. Depois de alguns dias de tranquilidade, a República retornou ao caos.

Leia também: Retratos de uma manifestação ilegítima

Mas nada abalaria as estruturas da República como a aceitação do pedido de impeachment da presidenta Dilma. A chantagem do presidente da Câmara não surtiu efeito, entretanto, por vingança, ele aceitou o pedido. E mesmo afogado em denúncias, com processo de cassação em andamento no Conselho de Ética, Cunha conduziu o rito de impeachment.

Cunha só foi barrado quando o STF levou o processo de impeachment à estaca zero.

E quanto ao senador Aécio Neves, o incansável perdedor, este não foi um ano agradável para ele. Passam-se mais 365 dias e ele lutando para assumir a presidência da República sem a legitimidade dos votos.

De certo modo, o ano de 2015 não deixa saudades a ninguém.

Que venha 2016!

Deixe um Comentário!