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PF investiga repasses da Odebrecht ao iFHC

PF investiga repasses da Odebrecht ao iFHC

PF investiga repasses da Odebrecht ao iFHC – Crédito: Reprodução

 

Se o juiz Sérgio Não vem ao caso Moro resolver investigar de fato as tramas e as entranhas das doações ao iFHC vai encontrar muito mais do que aquele dinheiro vindo das quermesses promovidas pelos tucanos para quitar suas dívidas em campanhas eleitorais.

Durante as investigações da Operação Lava Jato, policiais federais começaram a apurar indícios de desvios de finalidade ou ocultação de origem em pagamentos feitos pela empresas Odebrecht e Braskem ao iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso). A entidade, do outro lado, nega qualquer tipo de irregularidade nos repasses das empreiteiras.

Laudos da Polícia Federal, no âmbito das investigações relacionadas à Odebrecht, apontam que o iFHC recebeu R$ 975 mil da Odebrecht entre novembro de 2011 e dezembro de 2012. Oficialmente, o iFHC explicou que os valores são referentes a doações feitas ao fundo de manutenção da entidade. Entretanto, a PF começa a suspeitar que, na realidade, a Odebrecht pode ter feito pagamentos por palestras ou serviços de consultoria prestados pelo ex-presidente e que não foram contabilizados.

Isso porque comunicações por e-mail do iFHC, interceptadas pela PF apontam conversas entre funcionários do Instituto e executivos da Odebrecht tratando de pagamentos a uma possível participação do ex-presidente em uma das reuniões da Apla (Associação Latino-Americana da Indústria Petroquímica).

Em uma dessas comunicações, uma funcionária do iFHC questiona um funcionário da Braskem, identificado como Pedro, sobre como seria a melhor forma para se efetuar “doações” em nome da Odebrecht ou da Braskem. No mesmo trecho, a servidora afirma que o Instituto pode firmar um contrato, porém não pode associar a qualquer tipo de serviço do ex-presidente.

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“Gostaria que você verificasse com a Braskem qual a melhor maneira para fazer a doação. Temos as seguintes opções: uma doação direta, de acordo com as normas e rubricas deles, e então enviaremos um recibo. Acho que a Braskem/Odebrecht já fez doações para a Fundação iFHC; a elaboração de um contrato, porém não podemos citar que a prestação de serviço será uma palestra do presidente”, destaca a comunicação por e-mail da secretaria do iFHC.

Pagamentos

“Dessa forma, é possível que outros pagamentos [da Odebrecht] tenham sido feitos e não tenham sido encontrados”, informa a Polícia Federal em laudo expedido no início de novembro. Ainda de acordo com a PF, é possível que os pagamentos tenham ocorrido por meio de “uma triangulação entre Grupo Odebrecht, o contratante do serviço (exemplo do evento Apla) e o Instituto Fernando Henrique Cardoso”, apontam os investigadores.

Os pagamentos ao iFHC por meio da Odebrecht ocorreram em 12 parcelas mensais. Onze delas no valor de R$ 75 mil e uma no valor de R$ 150 mil. O último pagamento ocorreu no dia 14 de dezembro de 2012. Os pagamentos constantes ao instituto levantaram a suspeita dos investigadores, visto que doações não são comuns.

O iFHC afirmou, em nota oficial, que as suspeitas “não procedem”. Anteriormente, o instituto já havia ressaltado que “estranha a forma pela qual vem sendo tratada a informação de que a entidade recebeu aporte no valor de R$ 975 mil do grupo Odebrecht”. “Basta o mais elementar bom senso para perceber o absurdo de supor que a doação feita à Fundação iFHC pudesse ter qualquer relação com o propósito de obter vantagens governamentais. Causa estranheza, portanto, que ela conste do relatório da PF que trata da corrupção na Petrobras.”

A Odebrecht também já se manifestou sobre esse episódio, declarando que a “CNO fez contribuições pontuais ao Instituto Fernando Henrique Cardoso, dentro do seu programa de apoio às iniciativas que ajudam a fortalecer as democracias. Apoiamos também iniciativas de outros institutos no Brasil e no exterior, sempre que possuam ligação direta com as posições institucionais da Odebrecht”.

Fonte: Fato Online

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