Blog do Mailson Ramos

E se o Delcídio resolver falar do Preciado e da Alstom?

E se Delcídio resolver falar do Preciado e da Alstom?

E se Delcídio resolver falar do Preciado e da Alstom? – Foto: Reprodução/CartaCapital

 

Delcídio Amaral é caixa preta; tem tucano eriçando as plumagens com medo das revelações. Se o tucano enrustido abrir o bico sobre a história do Preciado e da Alstom…

Depois das prisões de Delcídio Amaral e André Esteves, nada parece seguro no turbulento cotidiano da política brasileira. Tem tucano eriçando a plumagem só de imaginar aonde tudo isso pode parar.

Na corriola de Delcídio tem bicho de pluma embiocado. Basta ter um pouco de memória e não servir de receptáculo de notícias pré-prontas do JN para entender o que se passou nos últimos meses nos bastidores de Brasília.

O calor dos julgamentos e esta ojeriza coletiva ao PT – que tem seus erros e os mais crassos da recente história política – não deixam espaço para a análise fria dos fatos. E o primeiro deles é um fato histórico.

Até as andorinhas da Praça Ari Coelho sabem que Delcídio Amaral queria amarrar o seu burro no PSDB. Chegou até a assinar a ficha de filiação, mas seu ingresso no partido não foi homologado.

Mesmo assim, o convívio com os tucanos foi constante. Durante o governo FHC, ele foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre os anos de 2000 e 2001

Nestes descaminhos da política que só podem ser explicados nos conchavos e bastidores, Delcídio resolveu se filiar ao PT, onde foi eleito senador em 2002. Tivesse ele logrado participar do círculo dos tucanos é bem possível que hoje estivesse no mesmo lugar onde estão Azeredo, Aécio e Cia.

Delcídio jamais deve ter imaginado cair numa armadilha tão usual; armadilha que driblou até mesmo os “rituais anti-gravação”

Na sorrelfa típica de um investigador, Bernardo Cerveró colocou a República em estado de alerta. A Suprema Corte, tão cheia de si, teve alguns dos seus membros citados na gravação feita por ele das conversas entre Delcídio e Edson Ribeiro, advogado de seu pai.

Delcídio já pressentia os passos da justiça.

Preso, é uma caixa peta de conteúdo cataclísmico. Nos próximos dias a imprensa dará conta dos meandros desta descoberta. Conjecturas as mais variadas estampam manchetes. Fala-se até numa nova gravação que estaria em poder da Lava Jato.

Leia também: Em ‘A Privataria Tucana’, Preciado é figura indispensável

Na gravação divulgada ontem (27/11) pelo Estadão, um vestígio de plumagem tucana. Delcídio cita José Serra, Gregório Preciado e sobre “o dinheiro da Alstom”.

Também preso em Curitiba, o banqueiro André Esteves parece ser uma caixa preta. Ele doou dinheiro para as campanhas de Dilma, Aécio e Eduardo Cunha. Está metido no círculo político como se político fosse.

Existem expectativas de que a Lava Jato altere seu status de seletividade e passe a investigar os crimes de maneira isenta. Doutro modo, os procuradores messiânicos poderão intensificar a caçada ao PT e se esquecer de que neste mato tem tucano.

Existe ainda um fato que a mídia esqueceu porque lhe afeta as entranhas. Delcídio revelou que existe um “japonês bonzinho” de nome Milton que é o vazador oficial da Lava Jato. E não vaza de graça não. Pede uma prestimosa recompensa. Será que ele queria dizer Newton, em vez de Milton?

Há dois dias, o ministro Teori Zavaski, rebatendo as declarações do juiz Sérgio Moro em vazio congresso da Aner, disse que os vazamentos são perigosos e podem estar servindo aos poderosos.

Nos capítulos seguintes, esta novela vai render emoções para, talvez, virar a regra do jogo e, quem sabe, quebrar as tábuas dos dez mandamentos. Quem viver verá.

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