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Carta do Leitor: Pela educação do Brasil

Carta do Leitor: Pela educação do Brasil

Carta do Leitor: Pela educação do Brasil – Crédito: Reprodução

 

O leitor Roberto da Fonseca Brandão, de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, fez uma análise geral sobre a política e sobre a educação no Brasil. Este artigo é conteúdo de carta enviada por ele à secretária de Educação de Minas Gerais, Macaé Maria Evaristo, e ao então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em 2011.

Há mais de 50 anos venho ‘gritando’ sobre o ‘pior e maior crime cometido contra o povo brasileiro’, com o ‘beneplácito’ da ‘GLOBO’. Em 2011 para registrar esse ‘grito’ enviei uma ‘correspondência’ à Secretária de Educação de B.H. – Sra. Macaé Maria Evaristo, e, posteriormente ao Ministro da Educação, Sr. Aloízio Mercadante, (cópia abaixo).

PEDRO LEOPOLDO – MG. – (Santo Antônio da Barra – Matuto) – 14 de abril de 2011
À
SENHORA
MACAÉ MARIA EVARISTO
SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
BELO HORIZONTE = MG.
Prezada Senhora.
Inicialmente devo me apresentar e ao mesmo tempo apresentar minhas desculpas por tomar um pouco do seu precioso tempo para ler essa correspondência.
Sou um mineiro do interior (Patos de Minas) já na terceira idade, recém chegado de mudança para Pedro Leopoldo (grande B.H.) juntamente com minha esposa, para ficarmos mais próximos dos netos que residem em Vespasiano com seus pais, e, com maiores facilidades para as visitas periódicas do filho e netos e da filha caçula que residem em São Paulo e Curitiba, pela proximidade do Aeroporto de Confins.
E justamente por estar na terceira idade (67 anos) tive e tenho a tristeza de ter assistido e, por conseguinte, de conviver com o maior e pior crime, a meu ver, cometido contra o Povo Brasileiro nos últimos 50 anos, ou seja:
– Nas décadas de 60 e 70 no período do Governo Militar, o Japão, dependente de importação de grãos pelas circunstâncias geográficas, ofereceu ao Governo Brasileiro financiamento em condições excepcionais para que o Brasil expandisse suas fronteiras agropecuárias, produzindo para lhes vender os grãos e carne de que tanto precisavam;
– Criou-se então o “POLOCENTRO” para esse fim!… Tudo bem… Nada contra a expansão e o desenvolvimento do centro/oeste do Brasil, com a implantação das lavouras mecanizadas nas áreas dos cerrados, até então inaproveitáveis e improdutivas, com financiamentos fartos e altamente favoráveis;
– Julgo errada, porém, a política de implantação que se deu ao mesmo. A meu ver, repito, o Governo – (principalmente um Governo Militar – Forte) – deveria em primeiro lugar ter constituído uma comissão de ‘Excelências sobre o assunto’ e levado a efeito um levantamento demográfico das regiões de cerrado a serem desbravadas e transformadas em lavouras/mecanizadas, com um mapeamento detalhado dos pequenos proprietários daquelas terras, onde residiam desde seus antepassados, com os seus costumes e sua cultura;
– Feito esse levantamento, fariam uma convocação dos mesmos para, em reunião, dizer-lhes que o Governo precisava de suas terras para a implantação e desenvolvimento do ‘POLOCENTRO’;
– E que o Governo, então, de comum acordo com os mesmos que conheciam bem a região, iria construir-lhes uma ‘AGROVILA’ em local de menor impacto possível ao meio ambiente e com todos os recursos básicos: (luz, água, esgoto, postos de saúde, escolas, áreas para esporte e lazer, etc.)
– Em contra partida eles arrendariam suas terras para os Agricultores do Sul (Gaúchos, Paranaenses, Catarinenses, etc.) por 20 / 30 anos para que os mesmos que já detinham a tecnologia e conhecimentos de ‘Lavouras Mecanizadas’, desenvolvessem aquela região, nas seguintes condições:
– Nos três primeiros anos o Governo daria uma bolsa de sustentação às famílias transferidas para a ‘Agrovila’, para juntamente com o trabalho oferecido pelos novos agricultores garantir-lhes a sobrevivência com dignidade e tranquilidade. A partir do quarto ano, já com as terras produzindo satisfatoriamente, começariam a receber 5% da produção respectiva, com o acréscimo de 1% a partir do quinto ano de maneira a chegar aos 10% no décimo ano, o que permaneceria daí pra frente;
– Com isso teríamos que:
– Os agricultores do Sul que atenderam ao chamado do Governo estariam MILIONÁRIOS do mesmo jeito, só que essa riqueza, ao contrário de hoje, na mão de algumas dezenas, estaria beneficiando centenas, talvez milhares de famílias e ‘daqueles roceiros’ que teriam mantido suas tradições, cultura, etc. – E com oportunidades de Estudos Técnicos e mesmo Superior para seus filhos, com ligação às respectivas áreas ‘agrícola e pecuária’, e, consequentemente prestando serviços aos mesmos agricultores, com a vantagem de estarem acompanhando de perto a exploração (por arrendamento) de suas terras;
– Mas não, dando início a esse famigerado ‘CAPITALISMO SELVAGEM VIGENTE’ o Governo não teve a competência nem a previsibilidade de antever o que iria acontecer: – “os agricultores do sul” chegaram com seus conhecimentos e tecnologia e com os recursos abundantes e altamente favoráveis do ‘POLOCENTRO’ foram comprando a preço de ‘galinha na manguara’ de vez que cerrado, ate então improdutivo, valia quase nada, todas as áreas agricultáveis passíveis de mecanização;
– Então, deu-se o início e o ensejo da ‘TRANSFERÊNCIA – VIA MIGRAÇÃO’ do homem do campo para os ‘POMBAIS’ (conjuntos habitacionais, mais uma vez beneficiando e alimentando a ganância de uns poucos – “políticos e empreiteiros” – e as favelas) nas periferias das Cidades, sem quaisquer planejamentos ou previsibilidade do desequilíbrio que isto fatalmente iria trazer;
– Com isto, por incompetência e imprevisibilidade o Governo, na sua cegueira, cometeu o maior e pior crime contra esse povo ao ROUBAR-LHE A IDENTIDADE E A FELICIDADE, pois, embora gente simples – (roceiros) – com suas casinhas, às vezes, cobertas de sapé e com piso em terra batida, era um POVO MUITO… MUITO FELIZ!… Com suas tulhas cheias, seus porquinhos no chiqueiro suas galinhas no terreiro e suas vaquinhas, e, sua cultura e costumes (Folias de Reis, mutirão, pagodes, etc.) além dos VALORES FAMILIARES e de HONRADEZ que eram comuns e naturais;
– Se fizerem um levantamento estatístico virão que grande parte dos ‘bandidos’ que compõem os ‘exércitos’ dos ‘traficantes e do crime organizado’ são de origem desta ‘malfadada e desastrosa migração’ – que poderia, facilmente, ter sido evitada, ou redirecionada, se tivessem tido visão ou vontade política. – (Isso sem falar nos crimes ambientais e na degradação da natureza por total descompromisso e pura ganância, o que, aliás, está sendo duramente cobrado pela Natureza – hoje.)
– Para agravar mais esse CRIME logo em seguida, na década de 80 aparece uma tal de XUXA e a REDE GLOBO e ‘ROUBAM A INFÂNCIA’ principalmente das meninas oriundas dessa desastrosa migração, fazendo com que boa parte delas partissem para a prostituição ‘infanto-juvenil’ para seguirem a ‘moda e adereços’ lançada pela referida personalidade que tornava-se FAMOSA E MILIONÁRIA às custas da “INFÂNCIA ROUBADA” a essas infelizes.
E para nossa maior tristeza e desalento assistimos a partir daí a deterioração do ‘excelente ensino público existente’ tanto para o ‘Primário como para o Ginasial ou Científico’, via diminuição do percentual do PIB aplicado em Educação e com a desvalorização sistemática da figura do (a) PROFESSOR (A) até então, merecidamente valorizada, respeitada e admirada por toda a sociedade.
Ao ponto CRUCIAL, CATASTRÓFICO E ABSURDO de tornar-se uma das profissões mais estressantes, quase se igualando com a de “AGENTE PENITENCIÁRIO” segundo estudo e pesquisa divulgada recentemente (ano passado);
Hoje o (a) Professor (a) para sobreviver tem de ter mais de um emprego ou dar aulas em dois ou três períodos diferentes, tirando-lhe toda e qualquer condição para ser um bom profissional, ensinando, acompanhando e assistindo como deveria aos seus alunos.
Por consequência e para sobreviverem com o aviltamento salarial atual, vão ‘fazendo de conta que ensinam, com os alunos fazendo de conta que estudam e aprendem’, chegando a essas condições e situações a que chegamos!…(que, obviamente, não preciso comentar ou enumerar!…)
Dentro de minhas limitações e pequenez, pois, em termos escolares tenho apenas o 4º. ano primário, mas, com a experiência dos anos e a percepção e observação próprias, sinto que só existe uma maneira do Governo compensar e atenuar um pouco pelo crime permitido e cometido contra esse povo e reverter essa situação caótica vivenciada do momento!!!:…
Aplicar no mínimo 10% do PIB EM EDUCAÇÃO, com a melhoria geral, e principalmente do salário dos (as) Professores (as) e sua revalorização de modo a que os mesmos voltem a ter o VALOR E RESPEITO QUE MERECEM, reconquistando as condições dos mestres de nossa época: – em que pai era pai, filho era filho, Professor (a) era Professor (a) e estudante era estudante!…
Mas, infelizmente, isto não irá acontecer, a não ser que a sociedade o cobre com ENERGIA E VEEMÊNCIA, e sabem por quê?… Por que o RESULTADO DE UMA POLÍTICA ASSIM SÓ APARECERÁ A LONGO PRAZO: – 15 / 20 anos!…
E qual POLÍTICO tem essa predisposição ou previsibilidade de tomar alguma medida com resultado em longo prazo?… INFELIZMENTE, desses que aí estão, não creio que algum seja capaz de encarar e tentar resolver esse problema!…
Por outro lado e com alegria, Prezada Secretária Senhora Macaé, tomei conhecimento do ‘PROGRAMA FLORAÇÃO’ implantado por essa Secretaria de Educação tão bem presidida pela Senhora, com 180 Turmas de 25 alunos ‘especiais’, e, ipso facto precisam e carecem uma atenção mais detalhada dos (as) professores (as) com maior tempo dedicado aos mesmos.
Assim, na qualidade de cidadão preocupado e angustiado pelo que foi exposto acima, tenho a ousadia de apresentar-lhe uma ideia!… Que tal a Senhora, como boa mineira que é dar o exemplo ao resto do País batalhando e conseguindo uma gratificação especial aos professores (as) que labutam com essas turmas, de maneira a lhes permitir uma dedicação exclusiva às mesmas, porém com garantias de uma sobrevivência condigna, através de proventos a altura para tal!…
Creio que o investimento com o incentivo trará resultados mutuamente satisfatórios para todas as partes envolvidas, e, até de economia para o Estado, pois um bom cidadão formado tornar-se-á em elemento produtivo à sociedade e custará bem menos do que um possível e quase certo futuro delinquente ou perigoso bandido!…
Fica aí a sugestão, prezada Senhora Macaé, mui Digna Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte!… Espero e faço votos que a mesma seja estudada!!!
Renovando minhas desculpas pelo ‘desabafo’ e pelo precioso tempo lhe tomado, despeço-me com o meu abraço.
Atenciosamente,
Saúde, paz, harmonia, Luz e Amor!…
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Roberto da Fonseca Brandão.

Em tempo: Correspondência entregue em 15.04.2011 conforme “AR” assinado por ‘Neuza Tinôco de tal”, e, até hoje sem resposta.

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1 Comentário

  • Prezados, boa tarde!…
    Agradeço-lhes, de coração, pela publicação da nossa ‘carta’ a respeito da combalida ‘Educação’ em nosso querido Brasil, e registrando meu parecer sobre, a meu ver, o ‘PIOR E MAIOR CRIME COMETIDO CONTRA O POVO BRASILEIRO’ nos últimos 60 anos.

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