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A redação do ENEM foi um choque na misoginia

A redação do ENEM foi um choque na misoginia

A redação do ENEM foi um choque na misoginia – Crédito: Divulgação

 

O tema da redação do ENEM foi motivo de discussão no Brasil nestes últimos dias. O colunista Mailson Ramos que participou do exame relata os detalhes do domingo.

É preciso dizer que como graduado escolho sempre a opção de prestigiar o exame e me manter inteirado da concorrência que representa o ENEM, além dos desafios impostos para a realização da prova. Considero que nestes dias, a sensação se assemelha ao período das eleições. Talvez porque reforce a ideia da participação popular e estudantil num processo também democrático que é a reunião da massa estudantil do país. É uma efervescência de lutas e uma demonstração sempre clara de que o exame é uma porta aberta para o futuro, diferente de tudo aquilo que jamais se conseguiu neste país no campo da educação. E nesta oportunidade, um tema de redação louvável.

Começava a dissertação com o seguinte período: “Diz um mote romântico que numa mulher não se deve bater uma mulher nem mesmo com uma pétala de rosa. Entretanto, os dados atribuídos a estatísticas sobre a violência contra as mulheres brasileiras esboçam o perfil de uma sociedade machista, sexista e desrespeitosa à igualdade dos gêneros”. Foi um tema espetacular. A ideia nasceu propositalmente num momento em que forças conservadoras encontram eco nas palavras de parlamentares como Bolsonaro e Feliciano. Num momento em que a presidenta da República sofre preconceito por ser a mulher valente que é.

A redação do ENEM representou um entrave nas canetas de machistas e misóginos de toda espécie. Desde aqueles que subjugam as mulheres até os canalhas que um dia ousaram violenta-las de qualquer forma. Estamos no século XXI e ainda ouvimos deputados dizerem que mulheres deveriam ganhar salários mais baixos do que os homens porque elas engravidam. Num espaço de trinta linhas foi possível discutir muito pouco sobre este assunto, mas, na verdade, a intenção do ministério da Educação foi promover um debate amplo, no domingo, na própria sociedade. A intenção foi estender o debate à sociedade civil e repercuti-la nos dias seguintes.

Conservadores inveterados não se sairão bem. A caneta há lhes pesou, assim como a sua obtusidade. Fosse sempre assim, o debate seria produtivo e progressista. Ainda que o Bolsonaro tenha reclamado de “doutrinação ideológica”, ele, como intransigente que é, não entende nada de respeito ao ser humano. A discussão sobre a violência contra a mulher foi apenas um incentivo para discutir outros assuntos como a independência, o fortalecimento das leis antimisóginas, a popularização e o conhecimento de mecanismo de defesa para a mulher numa sociedade patriarcalista como a brasileira. Que o ENEM continue cumprindo suas virtudes educativas e sociais para amadurecimento de uma juventude preparada para os desafios da vida.

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