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Quem criou Eduardo Cunha?

Quem criou Eduardo Cunha?

Quem criou Eduardo Cunha? – Crédito: Reprodução/Uol

 

Cunha queria uma Câmara independente das decisões do governo. No fundo ele sempre quis dominar os deputados e até certo ponto conseguiu. Mas acabou.

Eduardo Cunha utilizou o mote da independência do parlamento para fazer valer a sua aversão ao governo e ao PT. Sob a égide de uma Câmara Federal com poderes de contrapor as decisões governistas, ele, por prolongados dias, estabeleceu um mecanismo de dominação dos deputados que o acercavam; deputados que não eram apenas asseclas, mas dependentes da política de propinagem institucionalizada por Cunha. Ele conseguiu direcionar todos os parlamentares sob sua tutela às decisões que o favoreciam e, por tabela, prejudicavam o governo. A Câmara dos Deputados estava sequestrada e sobreposta aos desígnios do seu presidente, um homem cuja usura desmedida fez desvirtuar as pautas mais importantes para o Brasil neste ano de 2015.

O Brasil parou de funcionar quando mais precisava. Há um ano não se discute sobre outra coisa neste país a não ser no impeachment da presidenta da República. Os oposicionistas precisavam de uma força motriz capaz de girar a engrenagem do processo; Eduardo Cunha, eleitor de Aécio Neves e muito ligado aos tucanos, resolveu tomar para si esta diligência. Foi ancorado por partidos de oposição e ovacionado pelas massas nas manifestações de março, abril e agosto. Cunha jamais foi questionado por alguém que via nele a esperança da queda de Dilma. Muito pelo contrário. Sempre foi acercado pela imprensa, salvo das manchetes dos grandes jornais e livre de matérias na TV onde se pudesse duvidar de sua idoneidade.

Aos olhos da sociedade e, sob o efeito da mídia, Eduardo Cunha era apenas um homem diligente, probo e intocável; os blogs progressistas foram os primeiros a desencavar os antigos processos do Cunha que remontavam desde a época da Telerj, operadora fluminense de telefonia, vinculada ao sistema Telebrás. Com o tempo, ele colecionou vitórias e alçou voos mais intensos rumo a Brasília. A Câmara, em sua 55ª legislatura foi preenchida por deputados que envergonhariam qualquer parlamento: de Bolsonaro a Alberto Fraga, para citar apenas dois. Conservadora, radical à direita, extremista, esta legislatura teve o presidente que mereceu até aqui.

Quando surgiram as ideias sobre as contas na Suíça, Eduardo Cunha foi categórico em dizer que não tinha contas no exterior, aliás, jurou de pés juntos. Mal sabia ele que, na Europa, os procuradores suíços rastreavam seus passos no Julius Bär. A imprensa entra com seu discurso forjado; ela, que jamais antecipa um fato daqueles a quem protege, não pôde desta vez esconde o malfeito do presidente da Câmara. Aqueles que o acercavam com dóceis promessas de lealdade desapareceram na primeira oportunidade; Kim Kataguiri, aquele menino do tragicômico MBL, rechaçou o amigo com quem tinha recentemente pousado numa foto. Com relações cortadas com a maioria dos aliados, Cunha virou moeda de troca entre oposição e governo.

Eduardo Cunha estava pronto para, nesta terça-feira (14) desferir um golpe certeiro no governo e despachar os pedidos de impeachment, de acordo com os ritos por ele estabelecidos. Mas a ação dos deputados Wadih Damous (PT-RJ) e Rubens Pereira Jr. (PCdoB-MA) obteve êxito no STF e o ministro Teori Zavaski (seguido por Rosa Weber) suspendeu o rito de impeachment. Cunha está sem tempo. As horas passam e tudo é incerto. Mergulhado nas lembranças de dias felizes em que ele, contra o governo, cruzava o escanteio e fazia o gol, o peemedebista não tem o apoio sequer do próprio partido. Da cadeira de presidente da Câmara para uma masmorra nas dependências da Polícia Federal no Paraná. E proporcionalmente aos seus desmando e roubalheiras, todo castigo será pouco.

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