Opinião

Leilão do impeachment: quem dá mais?

Leilão do impeachment: quem dá mais?

Leilão do impeachment: quem dá mais? – Crédito: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

Ricardo Kotscho atenta para o impasse político provocado pelos conflitos em Brasília. Para ele, a capital federal se transformou num cassino nestes últimos dias. No Balaio do Kotscho.

Dormia a nossa pátria mãe tão distraída/sem perceber que era subtraída/em tenebrosas transações (Versos da música “Vai Passar”, de Chico Buarque de Holanda, lançada em 1984).

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Ao dar uma olhada no noticiário nesta manhã de quinta-feira, sem mais nem menos veio-me à lembrança a canção do velho Chico, aquela do tempo da Campanha das Diretas, nos estertores da ditadura. Menos de 48 horas após o STF congelar temporariamente as ações do impeachment, governo e oposição agora querem ganhar tempo para discutir a relação e reorganizar suas tropas, esperando para ver o que acontece.

Acontece que o nosso País não tem mais este tempo para perder. Urge uma solução para o impasse político. O final do ano está chegando, mais um ano perdido na economia, sem que de nenhum lado se ouça uma única proposta viável para sonharmos, pelo menos, com uma perspectiva de vida melhor em 2016. Luta-se apenas pela manutenção ou pela conquista do poder central.

Cada lado agora prepara os próximos lances no grande cassino em que Brasília se viu transformada nos últimos dias. Em leilão, está o nosso futuro. No centro da roda das negociações,  o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ameaçado de perder o cargo, o mandato e a liberdade, agonizando em praça pública, conversa com todo mundo e pontifica como se ainda fosse o todo poderoso manda-chuva nacional nestes tempos sombrios.

Esta semana, o governo reagiu e a oposição rachou, sem saber o que fazer com o Eduardo Cunha, mas tudo continua sendo absolutamente imprevisível. A presidente Dilma Rousseff partiu para a ofensiva num encontro da CUT contra o que chamou de “golpismo escancarado” desfechado contra seu mandato por “moralistas sem moral”. Com seus líderes divididos, sem rumo e sem comando, a frente de oposição retirou-se para o fundo do palco.

Em meio às incertezas, um personagem novo surgiu no cenário: o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, que se mostrou preocupado com a situação, em discurso feito a oficiais da reserva: “A crise é de natureza política, econômica e ética e poderá se transformar numa crise social muito séria, com efeitos negativos sobre a estabilidade. E aí, nesse contexto, nós nos preocupamos, porque passa a nos dizer respeito diretamente”. Dizer o que?

Ao quebrar o obsequioso silêncio dos militares, o general Villas Bôas acrescenta mais um ingrediente de mistério nesta novela do poder que não tem prazo para terminar e vai sendo esticada ao sabor das circunstâncias.

Façam suas apostas.

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