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Um espanto: o judiciário e imprensa se equivalem!

Um espanto: o judiciário e imprensa se equivalem!

Um espanto: o judiciário e imprensa se equivalem! – Crédito: Reprodução

 

Vazamentos seletivos, não ao contraditório, marcas do desrespeito à verdade factual: como o judiciário e a imprensa se equivalem nos não tão atuais jogos de poder.

Ainda que não compita somente à comunicação estudar o caso – porque os juristas em primeira mão deverão fazê-lo – vivemos um momento extremo de desvalorização da administração pública diante de ações toscas da justiça, corroboradas sempre por uma imprensa irresponsável que antecipa julgamentos sem a existência sequer de investigados. Se acaso a esta profusão de enganos e irresponsabilidades dá-se o nome de modismo, é bom saber que ele diverge das verdadeiras intenções da justiça, pautadas sempre pelo ordenamento das leis. Não me arrisco nas reentrâncias do direito civil, pois desta matéria não conseguiria ao menos o título de rábula. Sou apenas um curioso bacharel em comunicação entranhado na arte da política, e, por isso, naturalmente interessado nas questões jurídicas.

O fato é que as informações sobre processos jurídicos são, ainda que sigilosos, direcionados ao público através das redes e muitas vezes explorados em noticiários nacionais de veículos massivos como a televisão. Acontece que os investigados recebem pelo noticiário não apenas as informações do processo a que está sendo submetido, sem ser antes notificado pelos órgãos de justiça. E por onde vazam estas informações? No âmbito da comunicação, como contornar a situação diante da população, caso estas informações não sejam verdadeiras? Como reafirmar a dignidade de um homem público cuja execração se deu antes mesmo do conhecimento e afirmação da verdade?

Não se pode exigir muito da imprensa brasileira. Publicar uma noticia, ainda que inverídica ou não confirmada, é prática incontestável nas redações. O valor da notícia foi trocado por algo mais além de sua veracidade. A sacrossanta verdade factual, é, sobremaneira desconhecida dos grandes jornais brasileiros – e porque não dizer nas grandes emissoras de TV. E o que dizer dos pequenos sites que militam sobre plataformas ainda dominadas por uma política tradicional, mas evoluída, o que se convencionou chamar de coronelismo midiático? Elas são o ponto extensor das práticas viciadas de antecipar informações ou mesmo de interpelar pessoas, transformando-as em réus quando elas sequer receberam alguma notificação da justiça.

A imprensa age deliberadamente sobre a desinformação e o despreparo da população brasileira. Para muitas pessoas basta ler o título de uma manchete e prejulgar que seu conteúdo é verossímil; outras preferem acreditar que cada noticia isolada é uma informação imprescindível; imprescindível nestes tempos – ainda que intoxicável – é ler todas as fontes e recriar o cenário a partir de suas próprias convicções, afastando-se do objeto de análise ou de produção de sentido criada por quem escreve. Você, leitor ou leitora, tem todo o direito de, agora, discordar das minhas opiniões porque atravessou o portal do título e não foi levado por antecipações e atropelos. O caráter desta imprensa que aí está se coaduna inexoravelmente às práticas ilegais e ilegítimas de profissionais da própria justiça.

A Operação Lava Jato, sediada em Curitiba, é um exemplo incontestável de vazamento seletivo e irresponsabilidade jurídica. O juiz federal de primeira instância, Sérgio Moro, é o responsável por comandar as investigações. Sob sua (sic) barba se engendraram os mais escandalosos vazamentos seletivos da história jurídica deste país. Vazamentos que tinham a clara intenção de predispor a opinião pública a antecipar o julgamento de acusados e mesmo condenar aqueles sob os quais sequer pesava alguma investigação. A Polícia Federal, utilizada como ferramenta política, e defendendo interesses escusos que até agora não foram aclarados, instalou uma escuta telefônica ilegal no mictório do doleiro Alberto Youssef. O que queriam os delegados descobrir? Não se sabe. Mas se sabe que, sendo homens da lei, eles a infringiam irretorquivelmente.

Tudo isso serve para dizer que vivemos um momento muito conturbado na sociedade brasileira porque já não é possível acreditar na lisura da justiça em todos os processos; não é possível acreditar na imprensa que defende secretamente suas posições ideológicas. E ainda que se combatam as injustiças, haverá sempre um prejulgamento, uma antecipação jurídica promovida ou veiculada a partir da imprensa. É muito provável – e acredito piamente nisso – que o brasileiro, o mais simplório brasileiro não se contamina com esta onda de boataria. Nas manchetes dos grandes jornais, por exemplo, as fontes nominais desapareceram. Matérias de capa são referendadas com informações de amigos, interlocutores, aliados e todos eles sem nome ou identificação que possa comprovar a veracidade dos fatos. Mais uma vez é a sacrossanta verdade factual a pagar o pato.

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