Blog do Mailson Ramos Mídia

Uma imprensa que desconhece a sacrossanta verdade factual

Uma imprensa que desconhece a sacrossanta verdade factual

Uma imprensa que desconhece a sacrossanta verdade factual – Crédito: Reprodução

 

Como diz Mino Carta, a verdade factual é sacrossanta. Mas não é reconhecida nas redações dos grandes jornais brasileiros. Ali se publica o que vende, seja a notícia verdadeira ou não.

A imprensa deveria sempre manter um compromisso com a verdade factual.

Ela deveria ser um acordo ético entre a redação e seus repórteres. Mas a imprensa é o espaço irrestrito do senhorio brasileiro, a casa-grande midiática, o ninho dos poderosos.

Os jornalões que ainda são fontes específicas de informações e onde circulam os profissionais mais dinâmicos do mercado da comunicação são exemplos claros da desvirtuação do jornalismo.

A fonte foi suprimida em troca de figuras como interlocutor, amigo, parente, fulano, ciclano. A notícia perdeu seu valor real porque ela não nasce de um fato concreto; é antes uma alusão pouco definida a um acontecimento que pode jamais ter existido.

Isso é trágico para o jornalismo.

E consiste num círculo vicioso de enganações onde a publicação de uma manchete jamais será descartada na ausência de comprovações de sua veracidade.

Nos últimos tempos, não é somente a narrativa dos jornais impressos que aderiu ao discurso da fonte escusa.

Os telejornais e as revistas, sobretudo dos grupos tradicionais da mídia brasileira entraram no jogo do “alguém disse o que ouviu de fulano que contou para ciclano”.

Num emaranhado de informações que sobem no ar, vazadas da Lava Jato, as palavras dos delatores ganham destaque para formar manchetes de notícias jamais confirmadas.

Por isso não é possível esquecer-se das mil e uma mentiras contadas a respeito do ex-presidente Lula. No feed de notícias, a constatação da verdade pode ser percebida nas declarações dadas por ele ou aquelas comprovadas por documentos.

O que foge disso cai em contestação. Porque não pode ser comprovado ou é, em muitos casos, invenção de repórter que não tem nada de interessante para publicar.

Então temos casos de matérias desmentidas como a da Folha de S. Paulo do dia 26/10: “Em conversas, Lula responsabiliza Dilma por ação em empresa de filho”.

O Instituto Lula não apenas desmentiu a manchete, assim como toda a matéria.

É evidente que a imprensa não pode ser pautada. Mas ela precisa ser justa e verdadeira. Qual a credibilidade de uma empresa de comunicação que cria notícias e dissemina factoides?

Nenhuma. Recai sobre ela, inclusive, o julgamento da sociedade, ainda que esta permaneça impassível e pouco inteirada dos meandros da comunicação.

Por isso é que os grupos midiáticos, no Brasil, não querem discutir a Ley de Medios; eles vão se comportar como o grupo Clarín, da Argentina, que abomina a democratização da comunicação legitimada pela presidenta Cristina Kirchner.

O amargo da não democratização da comunicação é sentido nestas imposições da imprensa; publica-se o que quer baseando-se em informações nunca comprovadas e com atores ou fontes de personalidade desconhecida.

O apego à verdade foi açodado pelos interesses políticos dos grupos midiáticos.

Não há nada de natural no trabalho da imprensa brasileira porque ela se comporta como um partido ideológico, apegado ao flanco dos poderosos e içado por ganchos aos interesses do mercado econômico.

Ela continua dirigindo a opinião pública e manobrando as massas.

Continua influenciando o discurso político e municiando as forças conservadoras agora mais fortes e pujantes do que nunca.

No ideário das notícias falsas veiculadas pela imprensa neste país muita gente já pagou um preço caríssimo. E muita gente ainda há de pagá-lo. Porque notícia é notícia.

Seja o fato verídico ou uma invenção para vender jornal.

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3 Comentários

  • As elites quando veêm seu discurso ideológico ameaçado, para manter seus privilégios, aciona seus mercenários, os”formadores de opnião”, que, na falta de discurso apelam para , o que é muito conhecido em um certo jogo de baralho(“truco”), o “blefe”, ou, dizendo de outra forma, a tirada da sabedoria popular: “jogam merda no ventilador”, para, mesmo não convencendo a população, ao menos a colocam em dúvida sobre quem mereço sua confiança.

    • Percebeste que se trocar “As elites”, por “A esquerda”, ou “O PT”, o texto casa certinho? Atualmente os argumentos não são de inocência do PT e esquerdas, mas – “A direita também fez e ninguém investiga…”. Curioso que a esquerda, não entra com denúncia nem representações na justiça. Só fica publicando dúvidas nos sites, como ocorreu aqui.

  • Comentem o mesmo “erro” que a grande imprensa é acusada. O fato da parte contrária (no caso o aqui) o Instituto Lula ter desmentido não torna a notícia falsa!
    Imprensa de verdade mostra evidências e provas que corroboram o que afirmam. Caso contrário, estão todas sujeitas à lei. Fala-se muito em imprensa comprada, mas vejo muito pouco (apenas casos isolados) de processos contra a grande imprensa e menos ainda processos ganhos contra a grande imprensa.
    Falar por todos os órgão de imprensa é fácil. Provar é difícil. Aliás é por isso que o Lula anda não está na cadeia…

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