Blog do Mailson Ramos

O dia em que FHC admitiu a corrupção em seu governo

O dia em que FHC admitiu a corrupção em seu governo

O dia em que FHC admitiu a corrupção em seu governo – Crédito: Reprodução

 

As revelações de FHC sobre a corrupção na Petrobras passam ilesas pelo crivo da imprensa e pela Lava Jato que se dispôs a centralizar as investigações no âmbito da estatal. Por que será?

Em março deste ano, FHC disse que a corrupção no Brasil ‘era um bebê’, rebatendo críticas da presidenta Dilma Rousseff.

Ele fazia referência aos escândalos de corrupção na era petista, como se em seu governo não tivessem ocorrido semelhantes máculas.

Naquele período a polêmica insuflou os ânimos entre oposição e governo. O clima seria acirrado ainda mais com a profusão de prisões na Lava Jato e o sibilar do martelo midiático sobre o envolvimento de políticos no esquema de propinas da Petrobras.

O ex-presidente tucano entrava na onda do “vamos criminalizar o PT”.

A imprensa que sempre dá ouvidos a este “jênio” da raça marcou território nas asserções do sociólogo.

FHC cumpria com determinação o papel de homem ilibado, rígido e que administrou uma Petrobras tão impoluta quanto ele.

Nesta semana, o próprio FHC afirmou que sabia dos esquemas da Petrobras desde 1996. Esta notícia não causou assombro ou espetacularização na mídia e, portanto, não fez ressoar uma reação em Curitiba, na Lava Jato.

É importante dizer, amigas e amigos leitores, que o juiz Sérgio Moro e seus procuradores confessadamente aecistas sempre ratificaram a centralidade da investigação na Petrobras. Então as informações de FHC não valem nada? Não significa nada dizer que desde 1996 a Petrobras é afanada?

Mais espantosa é a constatação de que o combate à corrupção tem faces e facetas seletivas.

O silêncio tumular dos tucanos sobre estas informações demonstra o grau de confiança na inércia da justiça; confiam também na mão amiga da imprensa.

Por muito pouco a revista Veja não elegeu Aécio Neves com aquela famigerada capa “Eles sabiam de tudo”. Quando, na verdade, quem sabia de tudo era o FHC.

E pior: sabia de tudo, deixou a estatal servir ao interesse dos bandidos por mais seis anos e entregou ao Lula uma empresa sucateada.

Aqueles que continuavam sugando as reservas da estatal permaneceram durante os governos petistas. Mas o FHC que sempre se comportou como bastião da ética deveria admitir a gravidade do seu erro.

É ilusão pensar nisso porque os tucanos – e especialmente os tucanos paulistas – costumam achar que o mundo gira em torno de seus umbigos e, portanto, eles não erram jamais.

A condescendência da mídia e, sobretudo do judiciário tem transformado em realidade o mote da proteção ao tucanato. Sobre eles nada se investiga, não estão sob suspeita e mesmo entregando um fato grave, se escondem sob a sombra da seletividade.

Nos espaços de discussão na internet muita gente já antecipava uma parte destas informações divulgadas pelo próprio FHC.

Todo mundo sabe que seu governo foi corrupto e se escondia sob a tutela de um procurador-geral – também chamado de engavetador-geral – que tinha a tarefa de esconder todos os esquemas de corrupção.

São estes os irresponsáveis que querem o impeachment de Dilma Rousseff.

São estes que, mancomunados com uma mídia conservadora e irresponsável, e sob o vago olhar da justiça morosa, lançam pareceres e pedidos de afastamento da presidenta da República.

FHC deveria explicar melhor esta história.

Desmentir publicamente que a corrupção no Brasil, segundo suas próprias revelações, não é um bebê, mas uma velha e irrestringível senhora.

 

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