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Eduardo Cunha, os ‘muy’ amigos e a derrocada final

Eduardo Cunha, os ‘muy’ amigos e a derrocada final -

Eduardo Cunha, os ‘muy’ amigos e a derrocada final – Crédito: Fabio R Pozzebom/ Agência Brasil

Eduardo Cunha teve seu nome citado cinco vezes por investigados na Operação Lava Jato. Mas continua conspirando, impondo derrotas ao governo e defendendo interesses sempre escusos.

Eduardo Cunha é penta. Pela quinta vez foi citado por investigados na Operação Lava Jato. Conta-se nos dedos de uma mão as vezes em que alguém deu indícios claríssimos do envolvimento do presidente da Câmara no esquema de propinagem da Petrobras. Fosse ele petista já estaria atrás das grades, amargando dias insólitos na carceragem de Curitiba; estaria sob a guarda do juiz Moro, aquele que posa em fotos briosas com o empresário da Lifestyle Caviar.

Eduardo Cunha não conta mais com a amizade do Aécio. Neste momento em que a turma do golpe engendra a queda da Dilma, o tucano não pode ser dar ao luxo de aparecer com um político citado cinco vezes na Lava Jato e que está na mira do ministério público suíço. E depois, o próprio Aécio não conseguiu explicar os 124 voos ao Rio de Janeiro, em aeronaves oficiais de Minas, quando era governador daquele Estado. Melhor ficar quieto.

FHC, noutro dia, numa destas entrevistas sem prestígio que ele concede à Folha de S. Paulo, disse que o Brasil sofria uma crise moral. Com o dedo em riste aponta sempre para o Partido dos Trabalhadores. Eduardo Cunha com ele também não poderá contar. Mesmo estando lado a lado nos palanques de Aécio, durante a campanha presidencial de 2014, FHC e Cunha fingem não se conhecer. Todo mundo está cansado de saber que os tucanos sempre apoiam as decisões do presidente da Câmara. Basta prejudicar o governo.

Cunha poderia abrir os braços para o Paulinho da Força. Entretanto, corre o risco de cair na mesma cela do amigo. Recentemente o STF abriu ação penal contra o Paulinho por lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional. Não admira muito que eles tenham se reunido com o Gilmar Mendes para conspirar contra a presidenta da República. As pessoas não percebem que quanto mais Eduardo Cunha e os seus amigos tramam a queda da presidenta Dilma, as suas mazelas são expostas.

Nem mesmo com toda a brutalidade do mundo – e seus capangas do Mato Grosso – Gilmar Mendes poderá evitar que Cunha utilize a tornozeleira eletrônica. Há poucos dias eles ouviram um não tronante do STF: dinheiro de empresas em campanhas eleitorais, não! Foi uma goleada de 8 a 3 para ficar na história. Gilmar Mendes bufou, esbravejou, foi o coronel que somente ele sabe interpretar e desistiu quando percebeu a derrota. Vitória da democracia contra a corrupção, aquela de que eles tanto falam e tanto se beneficiam.

No PMDB, nem mesmo Michel Temer teria condições de salvar o Eduardo Cunha. Seria mais cômodo o deixar quebrar a cara sozinho. Mas como as conversas naquele partido só servem para derrubar lagartixa da parede, Cunha começa a engendrar uma reação diante da debilidade do governo. No final, ele espera a cooperação de seu séquito obsequioso. Espera ver a presidenta cair antes dele. Está sozinho e não sabe. No dia em que seu afastamento for realidade, dois ou três paladinos da ética vão defendê-lo na TV, afinal, ele não é petista.

De resto, não vai haver viv’alma capaz de tomar a sua defesa. Porque não se pode defender um sujeito como o Cunha. Nos últimos meses ele aplicou sucessivas surras no governo e aprovou leis interessantes aos seus empresários. Agora está entre a cruz e a espada. Não tem amigos, não tem acordos políticos sólidos e não tem o poder que um dia teve. Mas tentará até o último segundo barrar as ações do governo, este governo que erra, mas que também tem sido combatido pelos inimigos de forma ininterrupta e sem precedentes.

O Brasil aguarda uma posição da justiça. O fato é que o presidente da Câmara dos Deputados tem uma conta – ilegal, é bom dizer – no banco BSI, na Suíça. Muitos jornalistas já questionam: o que esperam para prender este tal de Eduardo Cunha? A justiça, morosa, aguarda o último tiro de um desesperado. Nos próximos dias, um homem de moral extremamente questionável colocará em pauta o impeachment da presidenta da República. E pode lograr. Será o dia mais vergonhoso da história do Brasil. Um acinte para as instituições públicas e um desastre para a democracia.

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