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Eduardo Cunha: a antecipação do fim e a última cartada

Eduardo Cunha: a antecipação do fim e a última cartada

Eduardo Cunha: a antecipação do fim e a última cartada – Crédito: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

 

Eduardo Cunha chegou ao fim da linha. Diz que não vai renunciar, mas foi rechaçado pelos antigos aliados da oposição. Utilizará a ideia do impeachment para tentar sobreviver.

Desde fevereiro, mês que coincide com a ascensão de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados, dezenas de artigos e notícias foram publicados sobre ele, sua conduta, suas brigas com o governo e a agora a sua derrocada final. Estava escrito nas estrelas que Cunha sucumbiria diante de malfeitos que o perseguiam desde longa data. O assunto mais debatido durante a semana foram as suas contas na Suíça; a imprensa escavou informações detalhadas dos gastos e deixou um buraco aberto onde certamente será sepultado o político Eduardo Cunha; a oposição, sua aliada, o descartou sem mais. O crepúsculo de sua carreira é tão iminente que até mesmo o PMDB se eximiu da tarefa de isolá-lo. A ele não cabe outra atitude que não renunciar.

Acontece que Eduardo Cunha é um político sem apoio, mas com coragem o suficiente para tocar fogo em Brasília antes de sucumbir. A última cartada dele são os pedidos de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Eles pululam ante a apreciação do presidente da Câmara. Cunha já disse que não vai arquivar nenhum deles; ele pode rejeitar, quando não houver bases jurídicas ou, caso contrário, despachá-lo para a pauta. Isso significa que ele vai fustigar os governistas até o último momento. Contra as aventuras derradeiras de Cunha, o governo distribuiu cargos no segundo e terceiro escalões; foi mais uma maneira de reforçar alianças ainda não concretizadas totalmente com a reforma administrativa diante da possibilidade de votação de pedido de impeachment.

Eduardo Cunha tem feito mal ao Brasil de diversas formas. Desde fevereiro ele transformou a Câmara dos Deputados numa personificação de suas decisões. Audaz, intransigente e exageradamente avesso ao governo, construiu um séquito de aduladores e aliados extremamente fiéis que só mesmo um escândalo como estas contas seria capaz de enfraquecê-lo na Câmara. Ainda que se diga que seu império ruiu, Cunha tem a capacidade de fazer-se necessário às forças golpistas. Ele vai dialogar com Deus e, provavelmente com o Diabo, em busca de apoio para permanecer onde está. Não se pode negar que seu estratagema primeiro é destruir o governo. E como todo golpista que se preza, pode obter o auxílio de muitos interessados.

Verdade seja dita: a oposição, ao descartar o Cunha, no sábado (10), deixou bem claro que não terá relações institucionais e políticas com ele, pedindo inclusive o seu afastamento para que ele possa se defender das acusações. No jogo político as coisas não são bem assim. A oposição rompe esta aliança publicamente, mas está interessada nos próximos passos do golpe. O PSDB, de Aécio Neves, por exemplo, se coloca distante de Eduardo Cunha acreditando em seu desespero e a capacidade que tem de tocar fogo em tudo. Isso não é surpresa porque a oposição sempre foi oportunista. Não deixará de ser justamente agora quando esta sanha golpista entrava suas visões. Como diria um colunista daquela revista sem escrúpulos jornalísticos, se Eduardo Cunha cair e levar Dilma consigo, menos mal.

Nos próximos dias, o futuro de Cunha será decidido. As forças contrárias a ele se organizam e a justiça, que até então permaneceu morosa, começou a agir. É bom que se diga que o processo destas contas no exterior existia desde 2006. Não fosse a celeridade da justiça suíça, estaríamos assistindo ao doce desfilar do Cunha pelos salões da Câmara como se nada o atingisse. Hoje ele se diz execrado e internaliza o papel de vítima. Está acuado, mas como tal não foge do combate. Das armas que vai utilizar não se sabe, não se pode prever. Mas uma coisa está clara: entre cair sozinho e sem estardalhaço e tocar fogo em Brasília na hora do adeus, ele preferirá a segunda opção.

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