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Cunha não barganha porque não tem mais o que oferecer

Cunha não barganha porque não tem mais o que oferecer

Cunha não barganha porque não tem mais o que oferecer – Crédito: Rodolfo Stuckert/ Câmara dos Deputados

 

Para os governistas, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já não tem como barganhar porque não tem o que oferecer. O peemedebista vai perdendo apoio até mesmo dentro do próprio partido.

Do Estadão:

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O entendimento da cúpula do governo e até de setores do PMDB é de que Cunha, adversário declarado do Planalto, não tem mais o que oferecer como contrapartida e, em razão disso, ele deve enfrentar sozinho os desdobramentos no Judiciário e no Conselho de Ética da Câmara. A ação no colegiado foi apresentada por PSOL e Rede, e contou com o apoio de 34 dos 62 integrantes da bancada do PT.

Parte da confiança de assessores mais próximos de Dilma está baseada em decisões tomadas nos últimos dias pelos ministros Rosa Weber e Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Os ministros barraram o rito previamente definido por Cunha e aliados para analisar pedidos de impeachment. O trecho do voto de Zavascki, evocado nos bastidores do governo, é o que afirma não poder haver qualquer dúvida de ordem jurídica em relação ao tema.

“Em processo de tamanha magnitude institucional, que põe a juízo o mais elevado cargo do Estado e do governo da Nação, é pressuposto elementar a observância do devido processo legal, formado e desenvolvido à base de um procedimento cuja validade esteja fora de qualquer dúvida de ordem jurídica. No caso, os fundamentos deduzidos na inicial e os documentos que os acompanham deixam transparecer acentuados questionamentos sobre o inusitado modo de formatação do referido procedimento, o que, por si só, justifica um pronunciamento do Supremo Tribunal Federal a respeito”, ressalta o ministro. Governistas consideram que o assunto pode até andar no campo político, mas permanecerá travado no Judiciário.

Família. A perda do controle da condução do impeachment e o futuro político de Cunha também têm dividido lideranças do PMDB. Há um entendimento de que, ao ter a mulher, Cláudia Cruz, e sua filha, Danielle Cunha, inseridas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no centro das investigações, o peemedebista acabará “envergando” e deixará “mais cedo ou mais tarde” o comando da Câmara, como uma forma de sair dos holofotes.

Após pedido de Janot, o ministro Teori Zavascki autorizou na noite de quinta-feira a abertura de um novo inquérito para investigar supostas contas do deputado na Suíça irrigadas com recursos desviados da Petrobras. Segundo documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça à PGR, a conta aberta no país europeu em nome de Claudia foi usada para pagar despesas pessoais como academia de tênis na Flórida e cursos na Espanha e no Reino Unido.

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