Blog do Mailson Ramos

Corporativismo e rasgação de seda: qual o mérito do TCU?

Corporativismo e rasgação de seda: qual o mérito do TCU?

Corporativismo e rasgação de seda: qual o mérito do TCU? – Crédito: Lula Marques/ Agência PT

 

Numa decisão que envolveu muito mais corporativismo do que propriamente a análise conjuntural das contas do governo Dilma, o TCU anuiu ao golpe.

Verdade seja dita: nunca se viu tanto corporativismo e rasgação de seda mútuos num só lugar. Não me recordo de ter assistido a um espetáculo tão egoístico, centralizado e onde as figuras, representando uma grandeza inexistente, armaram protesto velado contra o governo.

Houve até aplausos da oposição. Estavam lá Carlos Sampaio, Paulinho da Força, Antônio Imbassahy e Kim Kataguiri, aquele desocupado-mirim, que a convite do próprio TCU honrou a sessão com sua presença; por certo se esqueceram de convidar os aliados do governo.

Poderiam ter convidado a CUT, a CTB, o Silvio Costa, a Jandira.

Não é preciso analisar muito para ver que o circo já estava armado para engrandecer a figura do Nardes; ele entrou sob aplausos e deu a cartada para que seus pares o seguissem em sua apreciação.

O sistema judiciário neste país anda arrastando as vísceras no chão em busca de objetivos que o povo não quer – objetivos que são deles e de mais ninguém.

Se for verdade que o Nardes fez um relatório impecável (não ele, mas os técnicos de contabilidade a serviço do TCU) direcionando os ministros para a não aprovação das contas do governo, qual o significado da presença do advogado-geral da República ali?

A que se deveu a presença do Adams neste tribunal, se a decisão do TCU tinha sido tomada há muito tempo?

O ministro Augusto Nardes, investigado por envolvimento na Operação Zelotes, saiu como herói. Foi congratulado por todos os magistrados e conseguiu posar de vítima tamanha afronta imposta pelos ministros do governo que deram uma entrevista coletiva no último domingo (4), subjugando-o.

Os ministros do tribunal foram muito objetivos, afinal de contas, bastava apenas referendar o voto do relator e partir para o abraço.

Os primeiros passos para o golpe foram dados.

As forças democráticas precisam reagir.

Do contrário, assistiremos a desfiles de togados abatendo a democracia em nome da própria democracia; golpes institucionais e acertos de alcova; julgamentos e apreciações impetradas por homens cuja lisura é questionável. De tudo se pôde ver até aqui, em 2015.

Este falso moralismo que tenta mostrar um Brasil passado a limpo é o que vai corromper a democracia e instalar no país um regime de temeridade administrativa, onde todo chefe do executivo perecerá sob a possibilidade de ser impedido de governar.

Hoje o TCU entrou para a história. Vergonhosamente.

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