Cidadania

Batuque Social: da percussão à inclusão social

Batuque Social: da percussão à inclusão social

Batuque Social: da percussão à inclusão social – Crédito: Mailson Ramos

 

O colunista Mailson Ramos reaviva a importância dos projetos sociais para a sociedade brasileira e toma como exemplo o Batuque Social, projeto criado por Ramon Silva em Conceição do Coité, no interior da Bahia.

Ramon Silva é criador,  educador e entusiasta do Batuque Social, um projeto de disseminação de música, educação  e arte entre crianças e adolescentes na cidade de Conceição do Coité, interior da Bahia. Jovens coiteenses de todas as idades são instruídos a entrar em contato com a percussão – objeto de trabalho de Ramon ao longo de décadas e importantes participações em bandas de Axé –, eximindo-as de risco social hoje deflagrado pelas drogas. Em outras palavras, Ramon Silva transformou o Batuque Social numa expressão de arte através da música de seus tambores. Durante a semana ele percorre diversas comunidades na zona rural da cidade, onde mostra aos jovens que a capacidade de superar os desafios está neles próprios. E faz isso através da música.

Desassistida, a juventude no interior do país está à mercê não somente das drogas, mas da evasão escolar, do trabalho forçado, do despreparo da própria sociedade em condicioná-la a uma vida digna. Muitos jovens se perdem no vão da marginalidade. E esta palavra não adquire aqui o sentido da criminalidade, mas sim da exclusão; o jovem despreparado está alheio às raras benesses da sociedade brasileira. E é pensando desta forma que se pode augurar a iniciativa do Batuque Social. A força de vontade é tão importante e converge sobre sua ideia um trabalho tão árduo que deve ser sempre louvado pela sociedade coiteense e, sobretudo pelo poder público e privado, como forma de reconhecimento.

O juiz da comarca de Conceição do Coité, Dr. Gerivaldo Alves Neiva, também é um dos entusiastas do Batuque Social. Como homem de visão e vanguarda, ele percebeu a relevância do gesto e o impacto que tal projeto teria na sociedade coiteense. A condução do projeto, ainda que enfrente dificuldades, tem sobre si a responsabilidade de realinhar a dignidade dos jovens a partir de uma perspectiva sócio-inclusiva. Muitas vezes é preciso pensar que a juventude reserva em sua essência uma avidez por conhecimento, uma curiosidade por experimentar coisas novas; é muito bom que se instigue um adolescente a manter contato com a arte, em vez de vê-lo suprimir no vão da criminalidade ou mesmo que permaneça refém da ociosidade.

Ramon Silva tem reservado tempo para visitar a sua terra natal, o povoado de Caruaru, distante 13 km da sede. Dos encontros com os jovens sobram muitas lições; lições de quem viu o mundo a partir da perspectiva de um trio elétrico; de quem conhece a maioria dos astros e estrelas do Axé baiano; de quem ainda hoje percorre vastos ambientes artísticos, mas continua sendo o velho camarada. O Batuque Social merece ser exaltado por isso. Assim como já acontece com a Orquestra Santo Antônio, o Revolution Reggae – outros sucedidos projetos sociais de Conceição do Coité –, o Batuque Social precisa ser exaltado na plenitude de seu alcance e importância. Porque o Brasil precisa é de gente que valoriza a arte e a educação, seja como forma de inclusão social e política, seja como filosofia de vida.

Nós, do site Nossa Política apoiamos a iniciativa do projeto Batuque Social.

Abaixo apresentação do Batuque Social na Festa da Padroeira de Conceição do Coité-Ba

 

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