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O que quer o PMDB? Poder e mais poder!

O que quer o PMDB? Poder e mais poder!

O que quer o PMDB? Poder e mais poder! – Crédito: José Cruz/Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff, através da reforma ministerial, deve ceder novos cargos ao PMDB. O que se pode prever desta nova-velha aliança?

Há fatos políticos que não se explicam senão pelo entendimento dos conchavos e acertos de bastidor que a população, alheia, jamais poderá compreender. É por esta condição – e por outras centenas que o curto espaço de tempo e ideias não permite explicar – que a política pode ser comparada a um jogo, onde nem sempre os perdedores são perdedores e os ganhadores exitosos. De maneira que esta configuração preambular autoexplica o jogo de poder entre o governo Dilma e o PMDB.

Afinal de contas, não se sabe o que deseja o Temer. Ele é o vice-presidente, mas em momento de crise lança um mote do tipo: ‘temos que reunificar o país politicamente’. Ora, se o Brasil precisa ser reunificado é sinal de que a liderança desta nação, representada na figura da presidenta da República, não tem legitimidade alguma. O ministro da Defesa, Jaques Wagner, tentou de todas as maneiras reforçar que Temer era vítima de intrigas, mas palavras ditas não voltam atrás. E ele, sem dúvida, as proferiu.

No jogo de poder, se Dilma cair e não a sua chapa, Temer seria o novo presidente, embora com um baixíssimo índice de aprovação (11%), como evidenciou recente pesquisa do Ibope. Instado pelo PSDB de Aécio Neves e FHC, o PMDB se tornou objeto essencial para a governabilidade de poderes recém-estabelecidos e supre as suas próprias através desta fisiologia política predeterminada nas convenções de bastidor. Isso já faz parte de sua constituição partidária. Não se pode mais duvidar que o PMDB é a quintessência da simbiose programática, pragmática e – se não der certo – ‘me dê meu boné’.

Enquanto Eduardo Cunha lança invectivas contra a presidenta Dilma – e faz valer a ideia de que o melhor para o partido é sair do governo – há quem persista no apoio que se paga com cargos, ministérios, secretarias e tudo o mais que o cabide conseguir suportar. Porque o PMDB não está interessado em fazer parte do governo; quer barganhar, assumir sua posição de poder, influenciar nas decisões mais importantes do governo. E às vésperas de 2018, pular do barco para lançar-se em novos acordos.

Este entrevero entre PMDB e governo rende considerações. Considerações inclusive de quem se julga com moral suficiente para estabelecer uma comparação entre a aliança governista e um pacto com o diabo. Aquele ex-presidente que passou a ser conhecido pela abreviatura de FHC, disse à Folha de S. Paulo que Dilma “tenta pacto com o demônio para salvar o governo”, fazendo referência ao novo acerto com o PMDB. Quem não conhece o histórico de FHC pode ser capaz até de acreditar que o PMDB também não exerceu influência em seus governos.

Fora o falatório de quem não está a para dos acontecimentos reais, existe uma perspectiva fundamental para analisar a reforma ministerial do governo Dilma: o PMDB quer a diminuição de ministérios e isto pode de algum modo impactar positivamente a economia. Em tempos de recessão, quanto mais receita melhor. O ex-presidente Lula parece concordar com a diminuição das pastas. É preciso enxugar a máquina, não apenas por um ultimato peemedebista, mas porque o momento exige cortes.

Dilma, contudo, precisa dormir com um olho aberto e outro fechado. O PMDB costuma sobreviver em governos de variados matizes ideológicos; mas não conseguiria resistir a um aceno do poder. Eles ainda não debandaram para o PSDB, sob os chamamentos de Aécio Neves, para fechar contra a presidenta, porque são raposas velhas. Vão aguardar até o último momento; até o segundo final – seja agora ou em 2018 – estarão com a mão direita estirada ao governo, a mão esquerda aos golpistas e os dois pés enfiados nos cargos que ocupam.

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