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Por que o Papa Francisco é um padre santo?

Por que o Papa Francisco é um padre santo?

Por que o Papa Francisco é um padre santo? – Crédito: Eskinder Debebe/ONU

O Papa Francisco converge sobre si uma teologia social marcada pela valorização dos mais humildes. Sua Igreja é pobre e voltada para a simplicidade dos povos.

 

O Papa Francisco apareceria na varanda central da Basílica de São Pedro, em 13 de março de 2013, vestindo apenas a sotaina branca típica dos pontífices romanos. Nada mais. Nem uma insígnia papal como a mozeta escarlate sobre os ombros, a estola bordada ao ouro com as efígies do apóstolo Pedro e do missionário Paulo. Trazia consigo a verdade das lutas sociais, das dificuldades dos sem-terra, dos sem-teto, dos que vivem nas ruas. Dividia com todos eles aquele momento em que, diante da urbi romana, enviava uma mensagem fraterna aos mais necessitados. Para eles e não para os poderosos um papa latino-americano assumia o sólio de São Pedro.

Bispo de Roma, Pastor Universal, Vigário de Cristo, Príncipe dos Apóstolos, Sua Santidade. Estas são apenas algumas formas de tratamento do papa. Algumas decaíram com o passar dos tempos, mas outras continuam a ser utilizadas para se referir ao guia espiritual da Igreja Católica. O papa também costuma habitar no Palácio Apostólico, viver num aposento amplo e ter diversos camareiros. Francisco abdicou do poder. Evita vestes suntuosas e usa sapatos pretos, diferente dos mocassins vermelhos utilizados até então por seus predecessores. Francisco não quis viver no Palácio Apostólico; reside desde sua eleição na Casa Santa Marta, uma hospedaria para sacerdotes dentro do Vaticano.

Somados a estes pequenos detalhes, o Papa Francisco expressa uma teologia social construída sobre as bases da Igreja argentina, de onde ele se retirou apenas para ser eleito papa em 2013. Espera-se que todo bispo de Roma seja um grande pastor e, portanto, saiba guiar suas ovelhas com carinho e carisma. Francisco tem algo a mais. É simples, cortês, dinâmico e está construindo bases sociais tão concretas para a Igreja Católica quanto aquelas que construiu na Igreja portenha. Em sua primeira viagem ao Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, visitou a comunidade de Varginha, no Rio, e mostrou que um papa também pode levar esperança mesmo com a sua presença.

Francisco se deparou com a corrupção no IOR, o Banco do Vaticano. Renovou a equipe de administração e encarregou alguns cardeais para fazer uma auditoria. Roma tem se emocionado às quartas-feiras, quando na Sala Paulo VI ele fala aos fiéis. Aos cardeais, disse: Come vorrei una chiesa povera e per i poveri. (Como eu desejo uma igreja pobre e para os pobres). Indicava aos prelados seu programa de governo, a maneira como conduziria a Igreja diante de momentos tão difíceis para a humanidade. E tem dado conta do recado. Francisco é simples e objetivo; é amável sem se mostrar demasiadamente débil; é sucessor de São Pedro, mas não exibe sua primazia diante dos mais pobres.

No centro do imperialismo americano, o Papa Francisco relembrou Maria e José, os pais do Cristo, que no dia do seu nascimento eram sem-teto. A teologia de Bergoglio é algo que precisa ser analisada do ponto de vista social. Ele não é comunista e não é conservador; discute sobre temas muito caros à esquerda na América Latina. A questão dos sem-terra, dos sem-teto, dos pobres, dos abandonados, dos marginalizados é sempre lembrada por Francisco em suas homilias. Não convém comparar pontificados e papas – uma vez que eles viveram em épocas diferentes –, mas é importante dizer que a Igreja católica encontrou em Bergoglio aquilo que jamais encontraria em Ratzinger: a lembrança dos mais humildes ou daqueles que são “descartáveis” ao sistema capitalista.

Em Cuba, o caminho do papa se confundiu com o ícone de Che. Entretanto, Francisco soube dizer: “Não são as ideologias que interessam, mas as pessoas”. Apoiou ainda os esforços de Cuba para mediar o acordo de paz entre as Farc e a Colômbia. É um homem que sabe o que diz, mas, sobretudo é sabedor de seus gestos, suas ideias, das perspectivas do pontificado. Roma aprendeu a admirar o seu jeito simples. Os cardeais da cúria romana, em sua maioria conservadores e alinhados à tradição, encontraram motivos acreditar nas mudanças propostas pelo papa. Não sabem eles que Bergoglio está no imaginário das pessoas como um Santo Padre ou um padre santo.

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