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Das opiniões suprimidas pelo ódio político

Das opiniões suprimidas pelo ódio político

Das opiniões suprimidas pelo ódio político – Crédito: Fabio R Pozzebom/ Agência Brasil

 

Opiniões têm sido suprimidas pelo ódio político, de modo que o neofascismo tem adquirido personalidade na massa direitista brasileira.

Não há nada de assombroso em discordar de uma opinião política. Na verdade, a discordância é a senda aberta para o debate. Numa sociedade onde todas as pessoas concordam com as mesmas coisas, é possível prever um sistema em desalinho ou – em casos mais extremos – um exemplo sintomático de totalitarismo e repressão. A liberdade de expressão é um dos resultados magníficos da democracia. Entretanto, há no Brasil uma singular condição de discordância da opinião política alheia que transita por caminhos nada democráticos; tem-se cultivado em larga escala um ódio político deflagrado nas vísceras da direita, no seio do conservadorismo, na antessala da Casa Grande. E nisso não há nada de saudável. Nem para o Brasil e muito menos para a democracia.

Os filhos das classes abastadas estudaram, por suposto, em grandes escolas e tiveram grandes professores; contudo, tem mostrado seu bestialismo nas ruas, quando acercam figuras políticas para agredi-las como se não soubessem, através de palavras e pensamento moderados, emitir sua opinião de repúdio. Restaurantes e aeroportos se transformaram em vivedouros de direitistas, conservadores, baderneiros e anti-esquerdistas de toda sorte. Eles não conseguem se comunicar senão através de berros, gritos e xingamentos. São os mesmos que se colocam como apartidários, mas estão sempre envolvidas com legendas da direita e opositores ao governo. O debate que eles propõem não passa de agressão moral.

Porque agressão não significa apenas tocar fisicamente em alguém; se agride por palavras e, talvez estas, sejam até mais dolorosas. Ninguém é obrigado a concordar com a opinião do outro, mas é preciso respeitá-la. O que se assiste nos últimos tempos é a uma corrida desenfreada para o caos, um desentendimento básico dos direitos civis. No noticiário dos últimos doze meses é possível resgatar episódios de intolerância que muito se assemelham ao comportamento medieval. Pessoas são aviltadas em restaurantes, em aeroportos, em suas casas, nas ruas. São agredidas por pertencer a um partido, por defender uma ideologia. Chegamos ao precipício da convivência quando um vizinho não pode dizer mais que partido ou que políticos ele defende.

Muitos políticos da direita se silenciam. Isso não os interessa do ponto de vista da disputa eleitoral, do ganhar e perder votos, da popularidade. Eles querem é ver o circo pegar fogo. Mas chegará o momento em que esta mesma trupe de intolerantes começará a abrir o leque de sua hostilidade. Não serão, porém, apenas os políticos de esquerda e seus simpatizantes os seus alvos preferidos. Será o dia da renegação à política, afinal de contas, eles já renegam o direito de expressão e de opinião. E a partir deste modo grosseiro de pensar o Brasil como o salão de suas casas, eles começarão a definir o país que querem. É um modo fascista e totalitário de pensar. Não tem nada a ver com a esquerda. Esta é sim um movimento fascista e de direita porque a esquerda milita, sabe dialogar, sabe ir às ruas. Ou vocês já viram o Pedro Malan ser escorraçado de algum restaurante por uma trupe de esquerdistas desalinhados?

Enquanto se comportam com força animalesca, estes grupos fascistóides não serão bem referidos. A eles não se pode valorizar nem por um átimo de segundo. Deveriam se dar ao respeito e evitar a bandalheira que inevitavelmente causam nos espaços públicos deste país. Se são contrários, conservam ojeriza, odeiam algum partido ou figura política, que discutam em espaço de debate. Não há nada mais democrático do que dizer claramente porque discorda de alguma coisa, desde que se utilizem elementos da comunicação como a fala, o correto diálogo, a interação. Desde que deixem por um minuto má educação e o laço que os prendem ao fascismo.

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