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As lições que a democracia ainda não nos ensinou

As lições que a democracia ainda não nos ensinou

As lições que a democracia ainda não nos ensinou – Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

A democracia é um processo contínuo. A queda da presidenta Dilma Rousseff representaria uma quebra profunda nos ideias de nação que queremos para os nossos filhos.

O PSDB insta o PMDB a liderar o impeachment; fala-se em renúncia da presidenta Dilma Rousseff caso o pacote do ajuste fiscal não seja aprovado na Câmara; o PT está esfacelado e o presidente Lula anda triste com as críticas que tem recebido; a Folha de S. Paulo alterou em sua página principal o teor da desgraça brasileira: não é mais o petrolão, porque agora o Brasil está em crise e a crise é a pauta do momento.

Enquanto as conspirações fazem parte do cotidiano de Brasília, os políticos não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz; cada um está preocupado com os seus interesses pessoais ou profissionais e muitos deles não tem noção do momento vivido pela República. Estamos diante de uma curvatura sinuosa do processo democrático. Ou, no português bem claro, estamos diante de uma senda cujo destino já foi por nós amargamente provado.

Corremos o risco de ver a presidenta da República sofrer um golpe travestido de impeachment; ainda que haja sobre ela um crime de responsabilidade, ainda que suas medidas para contenção sejam insatisfatórias, o processo democrático não pode ser forçado e forjado sob uma nova perspectiva onde chefes do executivo jamais terão paz para governar sem que caia-lhes sobre a cabeça o fantasma do impedimento.

O economista Afonso Celso Pastore disse, ao Estadão, que “crescimento econômico, só em outro governo”. O discurso não pode ser outro senão aquele do “tira o técnico que o time volta a ganhar”. O Brasil estará com os mesmos problemas com ou sem a Dilma. A ilusão de que o crescimento e a reação logo virão é conversa para derrubar lagartixa da parede. Os trabalhadores do Brasil sabem em que lombo vai cantar o chicote da recessão. Um novo governo não fará um novo Brasil.

Muitas pessoas acreditam categoricamente nas palavras da oposição. Ora, se os políticos do PSDB e do DEM tivessem moral para debater as conquistas dos seus governos com aquilo que o Brasil conquistou nos últimos treze anos, é evidente que os petistas não teriam governado por tanto tempo. Se o governo é ruim, a oposição é muito pior que ele. Na verdade, não há oposição política ao governo. O que temos é um conglomerado de aloprados numa busca desenfreada pelo poder.

O exercício da democracia é constante e há apenas trinta anos tratamos de reaviva-la. A mentira mais sórdida da história brasileira poderá ser contada nos próximos meses. Derrubando uma presidenta eleita democraticamente, daremos ao mundo uma demonstração do quanto ainda somos imaturos, instáveis e facilmente manipuláveis. Passará um longo período até que os mercados, os governos e até mesmo os poderes constituídos aceitem a situação.

Desatento aos discursos, o brasileiro corre sempre o risco de ser massa de manobra. A oposição é ineficaz, mas seu braço estendido sobre a mídia promove uma convergência de interesses nada coletivos. Tem oposicionista falando em democracia o tempo inteiro para se arvorar nos significados e méritos do verbete. Mas muitos deles pertencem ao partido que também lutou pelo fim da ditadura, o PSDB. Um partido que tem democracia até no nome. Mas não passa disso.

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