Blog do Mailson Ramos Notícias

Gilmar Mendes envergonha até a própria classe

Gilmar Mendes envergonha até a própria classe

Gilmar Mendes envergonha até a própria classe – Crédito: José Cruz/Agência Brasil

 

O comportamento de Gilmar Mendes na sessão do STF para votação da ADI sobre o financiamento de campanhas foi grosseiro até mesmo para a sua própria classe.

O que se pode esperar de um homem que em pleno exercício de suas atribuições julga-se superior por ser ministro do Supremo Tribunal Federal? Porque aqui já não espaço mais para a discussão dos autos, dos processos, das linguagens do Direito. Está na centralidade do debate o caráter de Gilmar Mendes que se mostrou tão arrogante quanto bestial. A frase proferida diante de um seleto grupo foi ao ar pela TV Justiça e denotou uma quebra de decoro sem precedentes: “Só que eu sou ministro da Corte e o advogado é advogado.” Será que Gilmar Mendes um dia não começou a carreira no Direito como advogado? Quantos professores advogados ele teve? Não teria ele lecionado para advogados? Não houve, por acaso, um desrespeito acintoso à categoria a qual o próprio ministro pertence?

Qualquer coronel do século XIX teria um posicionamento mais tranquilo. Gilmar Mendes não admitiu ter seu voto de vistas rebatido por um simples advogado, afinal de contas, já havia falado por mais de três horas e não podia ser questionado. Esperava ele que a falsa conspirata entre o PT e a OAB fosse objeto de curiosidade da mídia. Entretanto, o advogado Cláudio de Souza Pereira Neto subiu à tribuna para rebater as acusações dizendo que Ofir Cavalcante é um antipetista histórico, portanto, não havia possibilidade de acertos escusos ou, como preferiu o Gilmar, de uma conspirata. Foi aí que ele se irritou. Não sobrou espaço para as suas bravatas e suas aversões políticas.

Aquele comportamento estouvado não pode fazer parte do cotidiano da Suprema Corte. Basta dizer que os maus modos são particulares e não deve ser retransmitidos para a alçada profissional. Dirão que Gilmar Mendes representou a imagem de um menino arengueiro que escapa com a bola quando está perdendo a pelada. O Brasil deveria saber mais sobre este homem que de menino não tem nada. Ele defendia interesses escusos, assim como Eduardo Cunha o faz na Câmara dos Deputados. São grãos do mesmo saco e bichados. Estão topando qualquer coisa para demover a presidenta Dilma do poder. Desta corriola golpista que coloca o PT no centro da roubalheira não se tira um homem que tenha moral ilibada.

Desde o processo do mensalão, o ministro Gilmar Mendes vem dando voz aos ilustres políticos que o alçaram ao STF, em especial o presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesta história de “vamos tirar o Brasil do PT” ou “o PT tinha planos de poder perpétuos”, o ministro se alia com figuras como Eduardo Cunha e o Paulinho, todos por certo amiguinhos do Daniel Dantas. Não há lisura nos processos jurídicos se o juiz deixa-se entorpecer pelas paixões ideológicas. Gilmar Mendes não esconde seu ódio figadal pelo PT. É um destempero, um desvario que não se mede apenas pelas palavras; suas decisões, suas opiniões, seu sentido político está voltado para a extinção do partido.

Acontece que o povo ainda tem poder neste país. E mesmo palestrando durante mais de três horas, Gilmar Mendes não conseguiu influenciar nenhum dos seus pares. Não conseguiu manter a res pública à venda pelas empresas que financiam as campanhas e depois querem o retorno financeiro. A doação de empresas privadas a campanhas eleitorais era a mãe da corrupção; quem lutava pela manutenção do financiamento queria mesmo era servir aos interesses das empresas e não dos seus eleitores. Agora haverá uma oportunidade sem igual de ver como se comportarão os políticos de verdade e aqueles que barganham junto às empresas. E quanto à Gilmar Mendes, continuará com seu discurso extremado, desfazendo de advogados e juízes, sua própria classe.

base-banner22

3 Comentários

Deixe um Comentário!