Blog do Mailson Ramos

Crise: a pauta única do jornalismo da TV Globo

Crise: a pauta única do jornalismo da TV Globo

Crise: a pauta única do jornalismo da TV Globo – Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A crise existe, é grave e afeta o país inteiro. Mas como conter sua negatividade através dos meios de comunicação que a transformaram em pauta jornalística?

A TV Globo priorizou a pauta da crise há alguns meses. E de lá até aqui não se ouviu tratar de outro assunto que não os maus resultados da economia, a alta da inflação, os malabarismos que o brasileiro deve fazer para fugir da recessão.

A emissora carioca não faz diferente dos outros veículos das Organizações Globo; ela é apenas a imagem mais imponente que se faz ser assistida pelos longínquos recantos deste país. E adere às suas mensagens um conteúdo massivo capaz de moldar a opinião pública.

A crise existe, é real e tem sido dissecada dia após dia, desde o primeiro telejornal até o último num grau de negatividade que somente cresce, amedronta e acovarda o brasileiro. Impõem-nos a ideia de que seremos a próxima Grécia ou logo estaremos ajoelhados aos pés do FMI, como em outrora.

A TV Globo está vendendo a ideia de que tudo acabou ou que o PT acabou com tudo. A roubalheira e a rapinagem dos outros partidos têm sido sedimentadas sob uma indulgência concedida via transmissão de TV. Não interessa noticiar um fato sobre outro partido sem que deflagre a crise originada no Partido dos Trabalhadores.

Não interessa, portanto, saber até onde vai esta crise se o destino dela for o esquartejamento da República em milhares de pedaços. Até mesmo quem não faz jornalismo na TV Globo deu-se ao direito de intervir com críticas diretas e objetivas ao poder; tudo em nome da “cidadania”.

Quando se fala que o martelo midiático sibila e incide diretamente nos tímpanos dos brasileiros é uma maneira de confirmar o poder da mídia sobre sociedade. Em maio deste ano, uma pesquisa do Ibope comprovou: 41% dos entrevistados disseram que a imprensa mostra quadro econômico mais negativo do que ele realmente é.

Até aos domingos, na TV Globo, se intensifica a ideia da crise. Num dia desses, Marieta Severo, com toda sua gentileza e garbo, deu uma verdadeira lição em Faustão. O apresentador fez uma pergunta à atriz sobre a crise. Ela seguiu um roteiro diferente daquele que naturalmente seguiria uma dos aparvalhados globais: conclamou todos a lutarem contra a crise e ter esperança em dias melhores.

Com a exceção de figuras como Marieta, a TV Globo mantém sua agenda de referência à crise, à negatividade, ao caos inevitável porque lhe agrada a ideia de um novo governo sem o PT. Está escrito nas estrelas que os Marinho não querem Lula em 2018, assim como não o quiseram em 2002 e 2006.

Vem daí a ideia de transformar a crise em pauta. Há um tempo se repetia o mote “eu sou brasileiro e não desisto nunca”. Parece que os brasileiros estão se entregando ao discurso midiático. Permitem aos ouvidos o noticiário de que somos os piores em tudo. E assim nos tornamos frágeis e volúveis. Até quando durar este momento ruim.

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