Blog do Mailson Ramos

Respeitemos os nossos idosos

Respeitemos os nossos idosos

Respeitemos os nossos idosos – Foto: Monalisa Lins/AE

Um idoso é o arcabouço da experiência. Nele reside a vivência dos anos e a sabedoria das escolhas da vida. Devemos respeitar os nossos idosos. Sempre.

Antigamente, no interior, os pais ensinavam os filhos a tratar os mais idosos com os títulos de senhor e senhora. O idoso, numa comunidade pequena, era sempre tratado como um bastião da ética e da experiência de vida. Não se podia, em nenhuma hipótese, destratá-lo ou mesmo duvidar que sob aqueles cabelos brancos existiam muitas histórias verídicas sobre o mundo de antes. O idoso convergia para sua linguagem as comparações entre a modernidade e as tradições do passado. E nenhuma sociedade há de se erguer no mundo senão honra os seus idosos.

Todo jovem pensa que jamais vai envelhecer; isso acontece com a maioria deles. O destino, entretanto só reserva dois caminhos possíveis para o ser humano: a morte antecipada (em termos convencionais) ou a velhice. De modo que a morte adquire aí um caráter perene. E o sentimento de ter vivido milhares de histórias faz do idoso um vencedor. É como se sobre ele pairasse a representatividade cíclica da vida. No desembarque da terceira idade, as portas abertas parecem apresentar o idoso a um novo mundo, diferente do que se viveu nas outras tantas fases da vida.

Deve se respeitar um homem ou uma mulher idosa por uma simples questão: eles viveram a vida e cumpriram uma etapa essencial da construção humana na Terra. E isso vale para qualquer civilização, em qualquer cultura. O legado dos cabelos brancos e das palavras compassadas deve ser respeitado por aqueles que permanecerão por mais algum tempo, o que não tem acontecido, especialmente no Brasil. Os idosos são maltratados muitas vezes pela própria família; são abjurados, rechaçados, alijados dos direitos que a Constituição lhes oferece.

O idoso jamais deve representar um fardo para a sociedade, afinal de contas, ele trabalhou para construí-la e deve usufruir do seu conforto na velhice. Se somos incapazes de reconhecer a sensibilidade e a importância do idoso na nossa sociedade, de que maneira será o futuro do Brasil que terá uma das populações mais idosas? Como poderemos construir bases sólidas de respeito se ainda existe uma infinidade de idosos abandonados em casas de recuperação, atirados nas praças, mendigando nas calçadas? Seremos um dia capazes de respeitar o Estatuto do Idoso?

Uma mãe ou um pai é capaz de vigiar os passos de dez filhos. Mas dez filhos, no auge de suas vidas, não seriam capazes de abdicar de nada para cuidar do pai ou da mãe na velhice. Há exceções, mas as histórias se repetem nos noticiários. O idoso é sempre tratado como um fardo. E o desrespeito se supera diante da ausência de sensibilidade. Se todo jovem compreendesse a fragilidade de um idoso e os caminhos que ele percorreu toda vida para chegar até ali, não hesitaria em conceder-lhe as mais verdadeiras honrarias. Precisamos aprender mais com os idosos e através de sua tranquilidade, recriar um mundo de respeito como era no passado.