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Da prisão do Lula ao golpismo: a ânsia da extrema-direita

Da prisão do Lula ao golpismo: a ânsia da extrema-direita

Da prisão do Lula ao golpismo: a ânsia da extrema-direita –

 

Entre sombras e luzes, poucas luzes, quase apagadas, o golpe se desenha sob a fogueira preparada para o Lula. Querem prendê-lo para desfechar a Lava Jato do herói de Curitiba. Vejam aonde vai parar esta história?

Os manifestantes gastaram 12 mil reais para comprar o boneco inflável do Lula. E a crise? Bom, quando o assunto é destruir a imagem do ex-presidente petista, a crise fica em segundo lugar; com este valor seria possível comprar mais de 30 cestas básicas na cidade de são Paulo; seria possível também dividir em quantias de 500 reais e doar a 24 instituições filantrópicas. Entretanto, foi muito mais agradável para os manifestantes comprar um enchimento de borracha e içá-lo a postes nos gramados de Brasília para degradar a figura do ex-presidente Lula.

O boneco invadiu as redes sociais e também virou chacota nas charges de Caruso, em O Globo. Está mais clara do que nunca a intenção difamadora dos golpistas contra Lula; depois de terem dissecado o governo Dilma e desvirtuado a sua essência, deixaram-no em stand-by. As armas agora estão voltadas para Lula porque ele mira em 2018. É mais fácil um camelo ultrapassar o orifício de uma agulha do que os golpistas aceitarem a candidatura do Lula daqui a três anos. A guerra, dissemos há alguns meses, já começou.

O juiz Sérgio Moro alcançou o Olimpo da justiça brasileira, talvez até em maior intensidade do que Joaquim Barbosa. Endeusado, deve levar à frente a missão jihadista de limpar a corrupção no Brasil a todo e qualquer custo. E os seus admiradores já direcionaram o curso e o desfecho da Lava Jato: prender o Lula. Aquilo que os blogs progressistas denunciavam desde o início da operação e que mais tarde seria referendado pelas falas de experientes juristas se confirma agora com o alcance das miras da imprensa.

Não bastasse todo este arsenal, o atentado ao Instituto Lula, as páginas desrespeitosas no Facebook, a ojeriza da elite, a seletividade da justiça e a crise institucional, não há no Brasil uma discussão amadurecida sobre a política. Parece que os ânimos estão tão exaltados que a atmosfera criada em torno do imaturo debate nos faz inflamar as discussões em vez de arrefecê-las com uma melhor compreensão e análise. Os setores conservadores da sociedade parecem se apossar do descontentamento para insuflar a crise. Aos poucos, em vez de apagar o fogo estão acendendo por baixo as labaredas.

Aqueles que estão flertando com o golpismo não têm ideia da sua nocividade. Por trás de discursos como o do ex-presidente FHC afirmando que “o governo Dilma é legal, mas não é legítimo”, resiste não uma centelha para o golpe, mas a pura representação de que forças hegemônicas se mobilizam para destituir o governo eleito democraticamente. Caminha-se para o total desrespeito das instituições públicas, da imagem institucional da presidenta, para um caos que não nos transformará na Austrália do dia para a noite. Não é a queda forçada da presidenta que vai resolver todos os nossos problemas. Pelo contrário: eles vão aumentar.

Não restará pedra sobre pedra neste país se acaso a ideia do golpe persistir. Não haverá liderança popular, pois a maior delas estará retida nas garras do golpismo; FHC jamais constituirá uma liderança porque sempre foi boneco de palha nas mãos dos americanos; Aécio é conspirador, mas um completo aparvalhado, não tem visão política e se esgueira sob a sombra dos velhos tucanos para conseguir o que quer. O que sobrará afinal para o Brasil caso se constitua uma realidade este golpe paraguaio?

Duas senhoras sentadas, durante as manifestações, comentavam sobre qualquer coisa que divagava entre o capítulo de sábado de ‘Babilônia’ ou a mais nova linha de panelas Le Creuset. Uma delas segurava sem muito ânimo um cartaz com os seguintes dizeres: “Por que não mataram todos em 1964?”. E vocês vêm me dizer que é justo se manifestar desta maneira!

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