Blog do Mailson Ramos

O pai é a referência primacial de um filho

O pai é a referência primacial de um filho

O pai é a referência primacial de um filho

Uma singela homenagem do site Nossa Política a esta figura importante que é o pai, na personificação de Marcelo Pereira de Oliveira, pai de Mailson Ramos.

A palavra pai tem diversas definições. Uma delas diz respeito à posição ocupada pelo homem que administra uma família. A centralidade do pai na conjuntura familiar, seja em qualquer lugar do mundo, é muito mais do que simbólica: é uma estrutura basilar incoercível. E isto não significa definir a posição do pai em termos de gênero. Existem mães que ocupam esta centralidade sem nenhum problema. Mas o homem ainda é a figura do pai, do trabalhador, do sujeito que é carinhoso com os filhos, um arrimo incontestável. Isso sim é ser pai. É jamais abdicar da trajetória que o alinha à família e o direciona à posteridade através dos seus descendentes.

O pai é o objeto primacial das referências de um filho. Ele é a primeira gravura na tábua rasa da consciência no que diz respeito à proteção. É por isso que nem mesmo os cabelos brancos e a debilidade da velhice arrancam do pai a simbologia da proteção. Sua heroicidade não é apenas definida pela posição que ocupa na família, mas porque somente o pai é capaz de dirimir todos os nossos medos. Ainda que seja cético, sincero, rude ou ausente, ele representa uma imagem distinta de todas as outras presentes em nossa vida. É um reflexo ético antes das decisões a serem tomadas.

Em meio a tantas discrepâncias vivenciais, guerras familiares, desunião, a palavra de ordem ainda é o respeito. Filhos não consideram mais os pais, pais desintegram tudo o que há de simbólico com os filhos e a cultura do bom relacionamento é soterrada. A sociedade sofre com isso, mas sofrem muito mais as famílias e os seus membros. Já não temos mais a capacidade de definir a família como centro das decisões sociais, como também perdemos a sensibilidade de observar na experiência dos nossos pais o caminho a seguir.

Um pai transita na consciência de um filho, mesmo que ele não esteja mais presente. É bom confessar que a ausência dos pais nos faz perceber muitas coisas. Faz-nos entender que somos um sinal no tempo, um traço da existência, um pedaço minúsculo de alguém que não mais está. Isso é doloroso, mas é transitório. Custa pensar que nunca mais é uma palavra muito forte, que o desconhecido mistério da ausência física nos faz interpretar o interpretável. A saudade é uma bebida amarga que pinga gota a gota no espaço da existência. E que não é consumida, mas consome.

Por isso todos os filhos devem amar aos seus pais. Devem colocar de lado as amarguras, rechaçar os impedimentos e construir novas bases e novos relacionamentos. Os pais devem ser mais responsáveis e encontrar caminhos para se relacionar abertamente com seus filhos. Muito mais pungente do que a dor da saudade é a dor de um abraço que não aconteceu. E quando a vida apresenta estes obstáculos, certamente ela nos obriga a ultrapassá-los. Se formos bons filhos, seremos bons pais e mães. E não deve haver nada mais orgulhoso para um pai do que ver sua descendência trilhar pelos caminhos do respeito.