Opinião

Os cúmplices da corrupção

Os cúmplices da corrupção

Os cúmplices da corrupção – Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

No Blog do Bepe, Bepe Damasceno deflagra a verdadeira face dos manifestantes: eles não estavam protestando contra a corrupção; estavam sendo cúmplices dela.

Eles se dizem indignados com a corrupção no Brasil. Mentira. Não se viu no último domingo uma faixa, uma bandeira ou um miserável cartaz contra o financiamento empresarial de campanhas, mãe de nove entre dez esquemas de corrupção.

Eles acusam o PT de ter inventado a corrupção no Brasil, pregam prisão, cadeia e morte para Lula e Dilma, mas são incapazes de defender a reforma política, com soberania popular através de plebiscito, e Constituinte exclusiva, única maneira de mudar radicalmente o jeito de se fazer política no país.

Eles encenam um ardor patriótico e uma indignação civil contra a “roubalheira” que valem tanto quanto uma nota de três reais. Fala sério, só pode estar de sacanagem quem se diz inimigo figadal da corrupção, mas poupa Eduardo Cunha. Só pode ser entendido como deboche, ou expressão de profunda ignorância, o lema “Somos todos Cunha” adotado no domingo.

Eles apontam o dedo acusador contra os adversários da mídia mais canalha do planeta, que lhes faz a cabeça, mas entre eles, aposto, grassa gente que sonega impostos, corrompe o guarda para se livrar de multas de trânsito, faz de tudo para não pagar os direitos de suas empregadas domésticas e usa o tal “jeitinho brasileiro” da pior maneira possível, para levar vantagem em tudo.

Na sua opereta bufa de quinta categoria, deliram que vão refundar a República e extirpar o mal dos males, a corrupção. Patético. Se a preocupação com a corrupção tivesse algum rasco de sinceridade, começariam por reconhecer que nunca se combateu tanto a corrupção como na era petista, bem ao contrário dos governos de FHC, o queridinho dessa turba, nos quais pontificava um engavetador-geral da República, craque na arte sorrateira de varrer para debaixo do tapete toda sorte de bandalheira.

Se tivéssemos no Brasil outro tipo de imprensa, jornais, rádios e TV teriam a obrigação de informar ao distinto público que pregar ruptura da ordem democrática é crime; que defender o assassinato de autoridades e fazer apologia da violência, idem; que reverenciar a tortura significa ser cúmplice de crime de lesa-humanidade, assim tipificado por vários tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Mas não, aqui tudo isso é ignorado em nome dos objetivos políticos das poucas famílias que controlam as plataformas de comunicação. Ainda bem que um número crescente de pessoas é capaz de observar que em termos de propostas concretas e exequíveis para o avanço do Brasil como nação e para a superação dos seus problemas, nada há que preste nessas manifestações.

Cabe lembrar que a indigência política dos atuais paneleiros em muito se assemelha com os destrambelhados das chamadas jornadas de junho de 2013, com a diferença que os atos de hoje são ainda mais obscurantistas e assumidamente mais golpistas. Assim como desapareceram os black blocs, vítimas de inanição política, o movimento dos dias de hoje também tem os dias contados.

Na melhor das hipóteses, seguirá promovendo micaretas dominicais cada vez menos concorridas. Isso no curto e médio prazos, porque projetando o futuro essa turma tem lugar garantido no lixo da história.

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