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A semelhança entre oposição e louco que tocou fogo em Roma

A diferença entre oposição e louco que tocou fogo em Roma

A diferença entre oposição e louco que tocou fogo em Roma – Crédito: Marcos Oliveira/ Agência Senado

 

A irresponsabilidade das críticas e dos discursos não deve prejudicar o país. A oposição ao governo Dilma tem se especializado em por fogo no Brasil, ainda que estejam queimando dentro dele.

Vagner de Freitas, presidente da CUT, pode até ter exagerado no discurso; não se revida ódio com mais ódio; não deveria utilizar palavras que façam alusão a uma guerra que permanece no campo das ideologias, embora o Instituto Lula tenha sido já alvejado por uma bomba caseira. O resultado de uma má interpretação pode ser o estopim de um embate muito mais profundo, sem regras democráticas e sem bases de respeito mútuo. A intolerância existe de parte a parte. Ainda que o significado de suas palavras tenha sido mal interpretado, Freitas corre o risco de ser devorado não por aquilo que quis dizer, mas pelas palavras que lhe saíram.

Fosse o caso de analisar os atos falhos dos políticos nos últimos tempos e a consequência de suas palavras, a oposição ao governo Dilma ganharia disparada. Aécio Neves, tentando insuflar seus amados manifestantes, dirigiu críticas ao discurso de Vagner Freitas e pôs mais um pouquinho de fogo na lenha da turba raivosa. Diria Fernando Brito, em seu brilhante Tijolaço, que “o movimento dos que ficaram sem golpe já não requer os arroubos de se falar em ‘exércitos legalistas’, ‘entrincheirados’ ou ‘em armas’ pela defesa da legalidade institucional”. Ainda assim, tem sempre um louco, como em Roma, querendo incendiar a República brasileira.

Em matéria de discurso fora do eixo, Aécio Neves não perde para ninguém. No mês passado ele se autodeclarou presidente da República e o fez sem nenhum receio; não há um cisma político-administrativo, não existem dois presidentes eleitos, mas o senador mineiro insiste na ideia de que ele não perdeu as eleições. E deve disputar um novo pleito ainda neste ano. Aécio é o maior conspirador desta República, mas não apenas isso; ele é também o pirotécnico, como Nero. Em seus acessos de pirotecnia sobra crítica para o governo, os petistas, a base aliada, a economia e todo o resto. Ele não está mais preocupado em poupar o Brasil. Nada tem validade senão seu discurso.

Para arrancar o PT do poder Aécio seria capaz de atear fogo na própria pátria. Ele impõe discursos assustadores,  mas incita seus seguidores a acreditar num Brasil novo caso assuma o poder. É como colocasse fogo na República, queimasse tudo, e retornasse para construir rapidamente o que foi perdido. Em nome de carreira pessoal muitos políticos estão travando guerras ideológicas gravíssimas; o Brasil permanece no limbo dos interesses partidários e políticos. É cada um arquitetando planos colossais para suas carreiras e esquecendo que sem Brasil não há conquista alguma.

Assim como o maluco que tocou fogo em Roma, os profetas de desventura que estão atirando o Brasil nas cinzas, hão de receber seu devido salário das mãos da história. Entretanto, parece que a rejeição ao fogo começou por onde menos se esperava: a Globo. Gigante, antigo e esperto demais para por fogo no Brasil e se queimar junto com ele, o maior grupo de comunicação do país passou a rechaçar o golpe. Seria, como bem disse o jornalista Paulo Nogueira, do DCM, a NOG (Nova Ordem da Globo). Até a pirotecnia dos jornalistas globais parece ter acabado.  Não é motivo o suficiente para acalmar o Nero do Leblon, digo, o Aécio de Roma.

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