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O silêncio ensurdecedor sobre Furnas

O silêncio ensurdecedor sobre Furnas

O silêncio ensurdecedor sobre Furnas – Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Enquanto a imprensa fingiu não saber das palavras do doleiro Alberto Youssef, Aécio Neves continua fazendo de conta que nada existiu nas entranhas da estatal de Furnas.

O doleiro Alberto Youssef disse mais uma vez que o senador Aécio Neves recebia propina de uma das diretorias de Furnas; não foi a primeira vez, mas a mídia insiste em pautar o discurso naquilo que ela mais abomina nos últimos anos: o PT. Não se escreveu uma só linha deste episódio que evidencia o envolvimento do tucano no esquema de corrupção que mais uma vez foi resgatado do discurso do delator; aliás, o discurso de Youssef tem sido tratado com muito respeito pela mídia quando ele, vez por outra, acusa um petista. Quando não interessa aos detratores do governo, melhor nem tocar no assunto. Isso não vem ao caso.

Teve até blogueiro de revista mentirosa dizendo que a Lista de Furnas era peça de ficção inventada por qualquer petista para contrapor os escândalos de corrupção em que o partido do governo está envolvido. O PT há de pagar mais caro pelos erros cometidos, mas ele não é a única legenda sobre a qual se apresenta a mácula da rapinagem. Se houvesse no Brasil uma imprensa responsável e um sistema judiciário compenetrado em mostrar os erros de onde quer que eles viessem, teríamos uma grande possibilidade de debater o país. Janot não protegeria Aécio e aos poucos todos saberiam que ‘pau que dá em Chico, dá em Francisco’.

Aécio é o queridinho da mídia, mas é um pobre errante. Mais cedo ou mais tarde todo brasileiro saberá que ele não é a opção ao governo Dilma. Está longe disso. Ainda que a presidenta tenha problemas para gerenciar o governo e apresente um quadro momentâneo de impopularidade, ela é infinitamente melhor do que o “probo” Aécio. Em vez de comandar trupes alucinadas para incitar o golpe, o senador mineiro deveria dar algumas explicações sobre as citações de Youssef. Até um dia desses, no Twitter, o presidente do PSDB exaltou a coragem do doleiro ao revelar os escândalos de corrupção na Petrobras. Não seria demais dizer que ele transformava um bandido e corruptor em herói.

A esta altura, depois da semana conturbada com a sabatina do Janot no senado e as palavras do doleiro, Aécio não deve tugir nem mugir. Permanece em stand by para o bem de seus objetivos, sobretudo aquele que diz respeito à queda de Dilma. Porque se houvesse imprensa de verdade neste país, estariam os veículos questionando o fato de que o principal nome da oposição ao governo participou de um escândalo de corrupção. A seletividade é tão evidente que não se viu uma simples manchete fazendo referência às palavras do delator. Se o amigo navegante pesquisar os títulos de notícias com a palavra Youssef encontrará referência a muitos políticos envolvidos no chamado petrolão. Só não será possível encontrar manchetes do dia em que Aécio Neves voltou a figurar entre os beneficiários do esquema de Furnas.

Os paladinos da ética não escreveram um só texto sobre o fato. Não vale apena. É preciso recriar a todo instante uma situação em que a oposição supera o governo e a porta de saída para a crise, como se do dia para a noite tudo fosse resolvido pelo insano conspirador da República. Não se deve esquecer que além do olhar benevolente de Rodrigo Janot, Aécio tem a seu favor a presença de Gilmar Mendes no STF. O silêncio ensurdecedor continuará até as palavras de Youssef desaparecerem da agenda. Fora dos espaços como os blogs progressistas, nada faz recordar quem é Aécio Neves e como ele, segundo uma voz importante para a Lava Jato, recebia uma mesada de estatal de Furnas.

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