Blog do Mailson Ramos Notícias

Mais Médicos: dois anos de polêmicas e conquistas

Mais Médicos: dois anos de polêmicas e conquistas

Mais Médicos: dois anos de polêmicas e conquistas – Crédito: Astaffolani/Wikimedia Common

 

O programa Mais Médicos completa dois anos de muitas controvérsias e resultados satisfatórios para a saúde brasileira. Entre discursos conservadores e a valorização da vinda dos médicos cubanos, as análises do governo sobre os reais efeitos no Sistema Único de Saúde.

Em 2013, quando retornava de um grande shopping da capital baiana, vi um aglomerado de médicos a protestar contra o programa do governo que consistia em importar profissionais de saúde de Cuba. Saquei o celular, captei algumas imagens e publiquei um artigo no blog Opinião & Contexto sobre o assunto que estava no topo do agendamento. Ainda hoje tenho ouvido diversas abordagens sobre o programa. Mas naquele momento o que mais me interessava não era a opinião dos profissionais (e seu corporativismo), mas o que a população carente pensava.

Com todo respeito aos médicos brasileiros, e excetuando os responsáveis profissionais que temos, existem aqueles que exercem a medicina para garantia de um status social invejável. O exercício da profissão tem sido subjugado pela representatividade simbólica do médico na sociedade, seja em qualquer lugar do mundo e especialmente aqui no Brasil. A ética tem sio colocada abaixo dos interesses de ganho, de poder e reconhecimento. Um médico conserva a representação do herói, de um profissional a serviço da vida. Mas em muitos casos, como acontece em todas as profissões, o médico pode se esquecer de sua importância.

Diria uma grande professora que as representações sociais tem influência direta nas engrenagens que movem o cotidiano de cada pessoa na sociedade. A medicina e o direito, por exemplo, são atividades que usufruem de uma representação histórica em todas as sociedades democráticas e até mesmo nas sociedades ditatoriais. O Brasil, um país ainda conservador, patriarcalista e muito atrelado à ideia de centralidade do poder (uma minoria de poderosos dita as regras), reconhece através da precariedade do sistema de saúde pública a imprescindibilidade do médico. E os médicos brasileiros, “em defesa de suas condições de trabalho” foram protestar contra a vinda de cubanos.

Atualmente as melhorias no sistema de ensino proporcionaram aos filhos pobres do Brasil cursar medicina. Entretanto, as famílias mais abastadas continuam inserindo seus descendentes nas profissões hegemônicas e direcionando o discurso conservador contra o programa do governo. A reação contra as determinações do governo Dilma talvez tenha nascido aí. Foi 2013 o ano da eclosão de um discurso de protesto, sobretudo centralizado na reivindicação de direitos coletivos, mas também de direitos individuais. O médico, como representante da ciência e, portanto, o especialista, enfrentaria o governo até ser vencido pelas mazelas gritantes da população carente.

O Mais Médicos tem representado um programa de auxílio à saúde pública. Longe dos fatos infundados levantados pelos opositores do governo, existe a necessidade de um país profundo; ninguém é capaz de interpretar o Brasil se não o conhece em sua pura essência; somos interioranos, ainda rurais, apesar das metrópoles e da eclosão da vida urbana. E é importante pensar nas condições precárias de vida do brasileiro simples. Nunca se pensou em onipresença estatal como agora. O governo está em cada espaço recôndito deste país através do Mais Médicos. Numa cidadezinha do interior, onde médico nenhum arriscaria abrir um consultório ou trabalhar num posto de saúde, lá está um cubano, enfrentando as mazelas da saúde e ainda o preconceito e o ódio encarnado.

base-banner22