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Eduardo Cunha não largará o osso

Eduardo Cunha não largará o osso

Eduardo Cunha não largará o osso – Crédito: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

 

O poder de Eduardo Cunha é refratário. Não tem Lava jato que o segure, não tem processo no STF que o puna, não há uma voz – senão Silvio Costa – capaz de arrefecer suas obstinações.

Àqueles que sonham com a manchete matinal ‘Eduardo Cunha renunciou ao cargo de presidente da Câmara dos deputados’, melhor sonhar com outras perspectivas menos palatáveis. Ele não vai renunciar, não vai largar o osso e se cair, o levará preso entre os dentes afilados. Todo mundo está cansado de saber – até mesmo as carpas do Palácio da Alvorada – que a intenção do governo sempre foi limar Eduardo Cunha para que ele jamais assumisse qualquer posição de poder na República. E hoje, mesmo com o cinismo da maioria dos deputados que insistem em adulá-lo, Cunha é nocivo ao sistema político.

Por outro lado, uma parcela dos deputados que o acercam não está interessada em compor séquitos apenas pelas boas palavras do deputado peemedebista. Eles o seguiram porque Eduardo Cunha, mais cedo ou mais tarde, abriria fogo contra o governo. Já o fazia sob o nariz de uma base aliada frágil e agora deliberou que a próxima grande empreitada da Casa do Povo é aviar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Ele não largará o osso à medida que suas empreitadas sobrevivem diante do peso das acusações e o envolvimento na Lava Jato.

Ocorre que o amigo leitor, ao flanar por este artigo, se dará conta da crise institucional instalada no país. A personificação da instituição na figura (ou nos anseios) de quem a dirige se tornou uma máxima na República brasileira. Esta referência sempre existiu, embora a representatividade da figura que comanda a instituição estivesse sempre subjugada às suas regras, regimentos e estatutos. O que acontece na Câmara dos Deputados é uma vergonha. Eduardo cunha se apossou dos organismos da Casa com a intenção clara de subverter a sua independência e criar um sistema em que os deputados funcionem como seus asseclas.

Tudo o que ele tem pregado é independência, mas quando o assunto é votação, sobre qualquer pauta interessante a ele e aos seus patrocinadores, os deputados são direcionados a votar, a aprovar ou reprovar, segundo o gosto daquele que os guia. Não que aquelas raposas velhas tentem imitar ovelhas, mas na promessa de dias melhores e uma “imagem intocável” para a Câmara, eles tem votado tudo. Noutro dia saíram os deputados a comemorar pelo salão verde. Tinham aprovado a redução da maioridade penal. Como se sabe esta era uma pauta cara ao presidente da Câmara. Eduardo Cunha deu um nó nos adversários e numa pausa forjada, conseguiu sair vitorioso. É assim que ele trabalha.

A política brasileira deflagra um momento de crise interna jamais vista: é sintomático este momento por várias razões, sobretudo quando percebemos a canalhice da mídia, a seletividade da Operação Lava Jato, o ódio que somente é comentado quando diz respeito aos poderes hegemônicos, a ascensão e influência de figuras como Eduardo Cunha. Todo discurso esquerdista é analisado com desprezo, todo discurso de direita vale a pena ser lido e todos os brasileiros hoje são petralhas ou são coxinhas, segundo o dicionário dos políticos do Facebook. Ver a verdade sob uma ótica não significa desvirtuá-la. É isso que precisa ser entendido e debatido. Doutro modo permaneceremos fazendo guerrinhas idiotas enquanto o país precisa de diálogo e de gente pensando como gente.

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