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Dilma precisa dar nomes aos bois

Dilma precisa dar nomes aos bois

Dilma precisa dar nomes aos bois – Crédito: Reprodução/Pataxó

 

Enquanto a presidenta Dilma Rousseff não firmar posição nesta guerra e dar nomes aos seus inimigos, continuará a imprensa oligárquica a destruir dignidades.

A imprensa tradicional está prestes a se refestelar com o subsídio grotesco das manifestações deste mês de agosto; não será ela, porém, a responsável por uma cobertura distanciada como prega o bom jornalismo. Esta organização hegemônica que é braço direito da oposição tem sido tratada pelo governo com um senso surreal de republicanismo. Até as carpas do Palácio da Alvorada sabem quem são os inimigos do governo Dilma dentro e fora da imprensa. Enquanto o silêncio sepulcral da equipe de governo mantém em segurança seus verdadeiros adversários, serão eles os responsáveis por mobilizar uma trupe de revoltados.

As mesmas forças que se mobilizarão neste mês de agosto serão aquelas que em 1954 engendrou o golpe para derrubar Getúlio Vargas; a inter-relação entre os grupos sociais conservadores basicamente formados pela elite brasileira e a imprensa tradicional oligárquica representa quase um retrato fidedigno do cenário no início da década de 1950. Não houvesse a comprovação factual e histórica destes eventos, diriam que estaríamos vivendo este momento pela primeira vez. É preciso dizer que este ritmo cíclico da retomada das forças conservadoras tem acometido governos em toda a América Latina.

Entretanto, na Argentina, viu-se uma reação nada convencional da mandatária Cristina Kirchner. Ela enfrentou corajosamente os grandes grupos de comunicação – em especial o Clarín – e deu nome aos bois. Não permitiria um avanço nas relações entre governo, sociedade e imprensa se não tivesse também aprovado a Ley de medios. No Brasil, todas as discussões sobre regulação estão travadas por ordem e obra dos grandes grupos, mas, sobretudo, pelo acovardamento do governo. Aqui se publica uma mentira atrás da outra, criam-se factoides tanto quanto são os erros e falhas documentais de matérias insustentáveis.

A revista Veja publicou na última semana matéria sobre uma suposta conta do senador Romário na Suíça. De forma demonstrativa apresentaram documentos e extratos desta conta. Alguns dias depois o ex-jogador resolveu viajar para Genebra e verificar no banco da suposta conta a sua existência. E não havia conta alguma. O amigo leitor vai se questionar: onde a revista do grupo Abril encontrou este extrato? Teria sido ele criado por algum jornalista? Como teve acesso a um documento de uma conta inexistente? Romário prometeu acionar judicialmente os assinantes da matéria, bem como os editores. E fica por isso mesmo.

O jornal O Globo, na última sexta-feira (31), preferiu esquecer-se dos 2.932 imóveis do Minha casa Minha Vida, entregues pela presidente Dilma Rousseff. A pauta refletiu os problemas estruturais do loteamento que já tinham sido devidamente elucidados pelo Ministério das Cidades e a Caixa Econômica. Fosse apenas o dever de informar, o veículo colocaria em confronto sua pauta e as explicações dos responsáveis. Mas não é isso o que deseja esta imprensa irresponsável. Na segurança e intangibilidade de seus mais grotescos métodos está a certeza de que jamais serão afrontados por quem quer que seja: do governo, da base (dita) aliada ou pelos defensores do progressismo.

Chegará o dia em que o republicanismo e a diplomacia institucional estarão forçados entre a ânsia desta imprensa tradicional e a luta pelo poder. Enquanto a presidenta Dilma não direcionar o discurso aos golpistas de plantão, será este eterno tormento de notícias infundadas e matérias sem nenhuma base factual. Enquanto ela não tiver a coragem de Brizola e o grito forte de João Pedro Stédile para apresentar ao Brasil o partido ideológico do golpismo, nada mudará. E uma boa oportunidade de dar nomes aos bois é fazer com que eles respeitem o seu cercado e não ousem atentar contra dignidades alheias.

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