Notícias

Defesa da democracia: atos em 24 Estados mais DF

Defesa da democracia: atos em 24 Estados mais DF

2Defesa da democracia: atos em 24 Estados mais DF – Crédito: Roberto Parizotti/ CUT

 

Manifestantes favoráveis à manutenção do governo Dilma, à democracia e contra o impeachment fizeram atos em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Manifestações organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Sem Terra (MST), Central de Movimentos Populares (CMP) e União Nacional dos Estudantes (UNE) ocorreram nesta quinta-feira (20) em 24 estados e no Distrito Federal. Além do “Fora Cunha” e da defesa do mandato de Dilma Rousseff, entre as palavras de ordem havia também críticas ao ajuste fiscal.

No Rio de Janeiro, os manifestantes se concentraram na Candelária, no centro da Cidade, por volta das 15h. Em seguida, eles seguiram em passeata pela Avenida Rio Branco, em direção à Cinelândia, onde foi montado um palco para apresentação de artistas e discursos. Ao longo do trajeto, a passeata foi acompanhada por sete carros de som e 10 grupos com instrumentos musicais.

Os discursos foram diversos – muitos ativistas puxaram gritos contra o ajuste fiscal e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, enquanto outros se limitaram a apoiar Dilma, sem ressalvas. Os únicos momento de unanimidade foram os coros de “Não vai ter golpe” e “Fora Cunha”, referindo-se ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Artistas e líderes sindicais se revezam no palco montado em frente à Câmara Municipal.

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o deputado federal Luiz Sérgio (PT-RJ), o ex-ministro da Igualdade Racial, Edson Santos (PT-RJ), a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), o deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ), o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT-RJ), o ex-deputado estadual Gilberto Palmares (PR-RJ) e outros políticos compareceram à manifestação.

O deputado Luiz Sérgio declarou que a manifestação desta quinta-feira mostra que o movimento social e os partidos políticos querem respeito à democracia. “Respeitar a democracia é, acima de tudo, respeitar o resultado das urnas. Estamos aqui para gritar em alto e bom som que nós não vamos aceitar que rasguem a Constituição. Essa história de golpe é uma história do passado, e a democracia foi construída com muita luta, é um patrimônio do povo brasileiro”, disse ao JB.

O sociólogo e cientista político Emir Sader, também presente no ato, destacou ao JB que há uma disputa nacional de agendas no país e que, neste sentido, o ato se afirma contra o golpe e também em defesa de uma agenda popular, que incluiria, entre outras pautas, uma retomada dos investimentos, o fim dos cortes de recursos e uma tributação sobre grandes fortunas. “Está aberto o que governo vai fazer, ele está enfraquecido, tem muitas pressões. A situação melhorou em relação há um mês, mas é uma disputa. E a força popular vai tornar possível superar essa política econômica do governo, que é a razão principal da crise”.

Benedita da Silva, por sua vez, destacou a espontaneidade do ato, que demonstra que há militância em defesa da democracia e de pautas populares. “O povo que conhece a história do Brasil, nós sabemos muito bem o que é uma ditadura e um golpe, o que não vamos permitir”, comentou. “Eu acho que o povo está dando a resposta, hoje é um dia realmente fantástico, extraordinário, não só aqui no Rio de Janeiro, é pelo Brasil afora.”

“Você não pode dar um golpe nos brasileiros. Querer entregar o que a gente tem de mais precioso, que é a nossa Petrobras, principalmente quando temos uma planilha dizendo que 25% do pré-sal é para a saúde, 75% para educação. O que eles querem entregar? Isso é defender os brasileiros? Nós queremos, sim, combater a corrupção, tanto assim que lutamos por uma reforma política que pudesse acabar com um dos mecanismos que fazem com que haja corrupção no processo eleitoral, que é o dinheiro das empresas, o que eles não quiseram”, completou a deputada.

Para Benedita, depois dos pedidos de intervenção militar vistos nas manifestações de domingo, o ato desta quinta-feira é um bálsamo. “É para gente dizer, ‘olha, não estamos sozinhos, temos o povo, temos os segmentos, e nós estamos aí para fazer a diferença.”

Carlos Minc comentou os pedidos de renúncia e impeachment da presidente: “Não faz sentido, ela não vai renunciar. Aliás, é curioso, porque não tem nada contra a Dilma, não tem nenhum processo contra ela, e a turma que está pedindo a renúncia dela está agarrada no pescoço do Cunha, contra quem tem muita coisa. Eu acho uma grande contradição”.

O deputado também disse que é preciso reconhecer que erros foram cometidos e que a economia tem que melhorar. Ressaltou ainda que envolvidos com corrupção estão pagando por isso, porque não tem “nenhum engavetador geral da República” no país. “Não é porque a economia está com problema e a gente tem que ajeitar ela outra vez que vão querer puxar o tapete atropelando. Aliás, eu achei curioso que muita gente [nos protestos de domingo] estava pedindo intervenção militar constitucional, eu não sei exatamente o que é isso. (…) A turma que está pedindo ditadura não está se tocando que não poderia se manifestar como estão fazendo agora”.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou o ato como uma vitória e lembrou que há muito tempo não era vista uma mobilização com o mesmo caráter como a de hoje. “Essa posição golpista de tentarem afastar uma presidente da República sem ter nada que atinja diretamente a presidenta da República está fazendo o nosso povo se reaglutinar. Sinto que nós estamos conseguindo aglutinar um campo social para fazer a defesa do governo desses ataques. E, é o seguinte, nós estamos pedindo ‘Não vai ter golpe!’, mas também estamos pedindo mudanças na política econômica.”

Os organizadores da manifestação de apoio à presidente Dilma Rousseff no Rio estimam o público entre 20 mil e 25 mil pessoas. A Polícia Militar não vai divulgar estimativa.

Fonte: Jornal do Brasil

base-banner22

Deixe um Comentário!