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A crise é a extinção do PT? E o lulismo?

A crise é a extinção do PT? E o lulismo?

A crise é a extinção do PT? E o lulismo? – Crédito: Roberto Stuckert/Instituto Lula

 

O sonho de consumo da oposição e da mídia, seu braço direito ideológico, é a prisão do ex-presidente Lula. Seria a extinção do PT? Seria o fim do lulismo?

A vitória massacrante do Partido dos Trabalhadores em 2002 colocou novas esperanças no coração dos brasileiros; pela primeira vez na história deste país um ex-operário receberia a faixa presidencial e implantaria através de um governo de esquerda, as medidas que o Brasil tanto precisava para sair do sucateamento provocado por décadas de crise econômica e planos monetários furados. A esperança não apenas vencia o medo, mas o brasileiro começava a perceber que algumas barras no horizonte brasileiro poderiam ser facilmente transpassadas.

O grande desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, naquele momento, era conter a desconfiança e manter o otimismo do mercado. A grande verdade é que o poder hegemônico não aceitava a vitória do Lula – até hoje não aceita – e, portanto, não referendava a escolha popular. Se o PT não tivesse aderido às suas bases, naquele momento, com propostas de melhoria, certamente teria o governo Lula sofrido muito mais ataques e ataques antecipados; quando surge a história do mensalão todos os críticos já tinham o discurso na ponta da língua: o PT não deveria ter ganhado a eleição.

O governo Lula esteve a salvo pela força de sua base, das medidas efetivas aprovadas até então, pela figura de liderança do presidente e porque a oposição jamais conseguiu ser de fato uma oposição. Lula governaria em meio a crises, entretanto, o brasileiro não tinha do que reclamar. Conseguiu o governo atravessar a crise de 2008 e nos anos seguintes, a luta foi para erradicar a pobreza extrema. Mesmo diante de um governo popular, a imprensa tentava desconstruir a imagem do presidente.

Lula saiu do poder com seu status de liderança intocável. Promoveu a vitória de sua ex-ministra, Dilma Rousseff, e continuou fazendo aquilo que é cabível a todos os ex-presidentes notáveis: foi palestrar. A presidenta Dilma Rousseff fez um governo razoável no primeiro mandato e no segundo enfrenta as consequências de duas crises apavorantes: a econômica e a política. Neste período de tempo que compreende a saída de Lula e a ascensão de Rousseff ao poder, o PT sofreu um desgaste iminente. É o desgaste de quem está no poder há treze anos e não conseguiu formular bases sólidas de diálogo com a sociedade.

Os escândalos de corrupção que afetam o partido do governo também afetam os partidos de oposição como o PSDB. Entretanto, o desgaste, a seletividade, a mídia, o judiciário e um senso comum criado a partir de todos estes fatores corroboraram para o ataque virulento ao PT. Inertes, apáticas, entregues e muitas vezes despreocupadas, as lideranças petistas baixaram a cabeça ao tacape. Esperam por uma solução divinal ou pela efervescência da militância. De algum modo o mote da reação petista está travado na Lava Jato. Nada acontecerá de novo e bom para a legenda enquanto o noticiário nascer de Curitiba.

O lulismo, por sua vez, divaga sem a ancoragem do PT, mas sobrevive porque o Lula é como uma árvore maltratada: quanto mais lhe dilaceram o caule, mais forte ela reage à violência. Entretanto, o Lula sofre das mazelas do ódio. Querem tirá-lo do cenário de 2018. Sabem que sem ele as perspectivas de uma vitória da direita são animadoras. Deverão incriminá-lo, preparam um circo midiático como nunca se viu neste país para atirar na lama o nome do ex-presidente. Com isso as forças da esquerda brasileira serão também dizimadas; o fim do PT e o fim do lulismo, ainda que no vão das considerações, será algo catastrófico para a política brasileira.

E não adianta pensar que o fim do PT representará o fim da corrupção no Brasil; não sejamos néscios ou tolos em acreditar que a origem da corrupção no país foi provocada pela ascensão de um partido esquerdista ao poder. Ela está enraizada e nem mesmo a Lava Jato consegue se dar conta disso. A tarefa santificada do juiz Sérgio Moro de levar ao fim sua cruzada contra os malfeitores do Brasil deixa para trás rastros de uma seletividade simbólica. Se não se extirpa o todo, a doença retorna. E retornará com tanta força que mais cedo do que imaginamos, estaremos debatendo de novo o mesmo assunto.

O circo midiático está armado para a prisão do Lula. Desde o início do ano as perspectivas da imprensa não nascem de outra esperança: o Lula vai se preso e é preciso estar atento aos sinais. A captura do líder seria o fim do lulismo; seria a derrocada final de uma história de lutas. Mas não é assim que o jogo da política funciona. O Lula tem o DNA do povão. E o juiz Moro sabe disso. Passarinho que come pedra sabe o c. que tem. De igual modo, não é bom duvidar das iniciativas deste poder arbitrário que se apossa da vara de Curitiba, onde pela primeira vez na história do direito constitucional, prendeu-se um homem já preso. Se há precedentes, nunca ouvi falar.

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