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Como serão as manifestações do próximo domingo?

Como serão as manifestações do próximo domingo?

Como serão as manifestações do próximo domingo? – Crédito: Lula Marques/Fotos Publicas

 

As manifestações do domingo (16) prometem firmar um marco na República brasileira. Mas o que eles trarão de novo? Quais as suas propostas? Quais serão as figuras e os discursos centrais? Será que traduzirão ao Brasil as suas reivindicações? Ou se perderão naquele velho e nocivo discurso do retorno da ditadura, da intervenção militar ou ainda do ódio político?

Ainda que no próximo domingo uma massa homogênea de manifestantes convirja sobre ideais nada democráticos, existirá uma parcela de sensatos a reivindicar melhorias para o país. E com razão. Deles pouco se pode dizer, pois estarão dissolvidos num turbilhão de ódio e reacionarismo que embaça qualquer previsão. Esta minoria, como qualquer outra minoria do país, divagará entre forças mais potentes e se fundirá ao discurso monolítico dos que querem Dilma fora. Da maioria absoluta é possível prever as mesmas demonstrações de ódio, exibicionismo, conservadorismo, xenofobia, desrespeito e torpeza.

As manifestações do domingo (16) devem partir dos mesmos polos tradicionais: os bairros mais nobres das capitais onde uma gente branca e vestida de amarelo circulará. Conduzirão consigo as crianças para confirmar o discurso da meritocracia e com os rebentos estarão as babás, embaraçadas com aquele festim diabólico. E seremos mais uma vez forçados a ver as referências à ditadura, ao golpismo, à intervenção militar, ao impeachment e quem sabe à morte do Lula, como faz há muito tempo um grupo no Facebook. Será mais uma vez a manifestação do 0% de negros e do discurso da ingovernabilidade de Dilma.

Será esta a manifestação capaz de acirrar a política como jamais aconteceu no Brasil; o discurso de Kim Kataguiri surtiu algum efeito nas manifestações de março. Diante de uma plateia vociferante, ele gritou: “Tem que dar um tiro na cabeça do PT”. Também em março dois bonecos representando Lula e Dilma foram enforcados e dependurados numa ponte, no Rio de Janeiro. A cada dia amadurece uma sensação de ódio que nos faz repensar a política. Incomoda o fato de que existe uma intransigência de parte a parte. Intransigência que faz ecoar berros estrondosos daqueles que moram e trabalham nas imediações do Instituto Lula; ou ainda dos que atiram bombas caseiras e permanecem por aí, flanando, desfrutando de uma odiosidade figadal.

Devo repetir que o ódio existe de parte a parte; defensores do governo têm investido num patrulhamento feroz (que é corroborado pela repressão ao PT, Lula e Dilma), mas que às vezes extrapola ou não tem razão de ser. Este ódio deve ser combatido e não esperemos que nas manifestações do domingo a plebe exprima alguma alteração do pinto de vista político. Não se pode reclamar do direito que o cidadão tem de reclamar, protestar, reivindicar um país melhor, desde que ele respeite a constituição e a democracia. A presidenta Dilma Rousseff foi eleita por 54 milhões de brasileiros votantes e estes votos não podem ser atirados no lixo ou servir de achincalhe na visão dos oposicionistas.

Desta feita Aécio Neves, o principal conspirador da República, deve participar das manifestações como não fez nas outras oportunidades. Deve se aglutinar com aqueles que há alguns meses o insultaram dizendo que ele não tinha “culhões” por não pedir o impeachment da presidenta Dilma. Exporá sua figura e seu partido, mesmo à revelia dos caciques tucanos, já ressabiados com esta quizila infernal interpretada por Aécio e alguns dos seus fiéis asseclas. As manifestações terão Caiado, Agripino, Bolsonaro e quem sabe Eduardo Cunha, escondido no vão da multidão a pedir pela queda de Dilma. Não se pode duvidar de mais nada nesta República.

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