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A base aliada vota contra o governo

A base aliada vota contra o governo

A base aliada vota contra o governo – Crédito: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

 

As derrotas impostas ao governo na Câmara dos Deputados não se originam apenas dos adversários do governo. É a própria base que “afrouxa”.

Ontem (05), pela manhã, alguns deputados petistas reclamaram da ausência do governo na coordenação das votações. Alguns deles, estupefatos, observavam o painel do plenário da Câmara que registrava a derrota do governo por 278 votos a 179 pelo requerimento de adiamento da votação da PEC 443. Trata-se de uma Proposta de Emenda Constitucional que iguala os salários da Advocacia Geral da União (AGU) e de delegados de polícia aos salários do Judiciário.

A base aliada do governo Dilma é também conhecida com a base do Paraguai, ou ainda a base dos “duas caras”. Alguns deputados pareciam indignados com as derrotas impostas ao governo por pessoas que convivem nos mesmos círculos da presidenta. Enquanto isso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não fazia questão de esconder o sorriso. “Tem muita traição. Muita cara de pau nesse processo. Eu não consigo aceitar político de duas caras” reclamava o vice-líder do governo, deputado Silvio Costa (PSC-PE).

O deputado Silvio Costa tem reiterado sua insatisfação com os conchavos na Câmara. Indisposto com o presidente Eduardo Cunha, ele lançou críticas aos líderes de partidos da base aliada. “Ora, Teve líder de partido do governo que esteve ontem (segunda-feira) com a presidente Dilma Rousseff no jantar do Palácio do Planalto e saiu dali para articular contra o governo no jantar na casa de Eduardo Cunha. Isso é inaceitável”, reclamava Silvio Costa.

Segundo o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) o governo não tem cumprido com as suas promessas. “Está difícil segurar a base”, tentava explicar o líder do PMDB. De acordo com Picciani, “o problema é que as promessas do governo não estão sendo cumpridas. Fica a impressão de que o Palácio não quer que a sua base de apoio no Congresso de fato participe do governo. Então não há confiança mútua”.

Parece que o governo não tem criado cabides o suficiente para satisfazer os aliados do PMDB. De fato, os deputados do PMDB passaram o dia ontem cobrando as tais 200 nomeações de indicados pelos parlamentares para cargos de segundo escalão, que haviam sido anunciadas pelo ministro Eliseu Padilha e que não teriam ocorrido.

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