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Juristas e intelectuais assinam manifesto contra o Golpe

Juristas e intelectuais assinam manifesto contra o Golpe

Juristas e intelectuais assinam manifesto contra o Golpe – Crédito: Reprodução

 

Mais de cem personalidades do direito e intelectuais já aderiram ao manifesto lançado no último 15/08 em defesa da democracia e contra o Golpe.

O documento acusa grandes grupos econômicos e, em especial, de comunicação, de tentarem “contestar legítima vitória das urnas e estruturar verdadeiro golpe disfarçado de troféu da democracia” contra o governo da presidenta Dilma Rousseff.

O documento classifica as atuais manifestações pelo impeachment da presidenta como “incapazes de evidenciar um honesto desejo popular por democracia”. Diz ainda que “é urgente ressuscitar a histórica e republicana união dos juristas na defesa da legalidade diante de tentações fascistas”.

Leia na íntegra:

“Manifesto de juristas pela legalidade e contra o punitivismo

Carta do Rio de Janeiro escrita no II Seminário de Direito Penal, Criminologia e Processo Penal em homenagem ao Professor Dr. Winfried Hassemer

A soberania popular brasileira está sob ataque. Enquanto a economia ameaça com desempregos, arrochos salarial e piora a vida dos trabalhadores, o capital político do governo liderado pela Presidenta Dilma Rousseff mostra-se vacilante, ameaçado pelo oportunismo de uma oposição irresponsável e golpista, capitaneada por demagogos carreiristas.

Aproveitando-se desta conjuntura desfavorável, os grandes grupos econômicos e, em especial, de comunicação, declaram guerra contra o governo sob a bandeira do combate à corrupção. Estes grupos contestam a legítima vitória das urnas, numa tentativa de estruturar verdadeiro golpe disfarçado de troféu da democracia. E enquanto a grande mídia semeia a ideia de ilegal deposição sumária, as cada vez mais raivosas manifestações pelo impeachment da Presidente ganham força, embora incapazes de evidenciar, desde sua origem, um honesto desejo popular por mais democracia.

Assim, acuado e incapaz de mobilizar as massas que o elegeram, o Executivo Federal se vê obrigado a tergiversas com uma agenda profundamente conservadora, que ameaça a consolidação histórica de anos de luta política contra o autoritarismo.

Por essa razão, é urgente ressuscitar a histórica e republicana união dos juristas na defesa da legalidade diante de tentações fascistas. Não podemos nos curvar às pressões rasteiras de setores retrógrados que desejam a instabilidade institucional do país para promover seus interesses privados.

Não há alternativa à legalidade democrática.

O formalismo deste clamor, contudo, não basta. Os quase trinta anos que se passaram da promulgação da Constituição Republicana tem mostrado que a herança ideológica do passado ditatorial brasileiro não foi devidamente enterrada.

Esse ranço autoritário é especialmente visível no conservadorismo pedestre, latente ou explícito dos grandes partidos brasileiros em matéria penal. Esses anseios punitivos, compartilhados tanto pela situação quanto pela oposição, colocam em dúvida a autenticidade de nossa democracia diante da falta de alternativas à constante aposta na repressão para o controle social.

A verdade é que, com raras exceções, as modificações legislativas no campo penal posteriores à Constituição da República vieram somente para criar dispositivos despóticos, que violam diretamente os direitos e garantias processuais as quais definem o limite entre barbárie e civilização.

Ao mesmo tempo, parte da comunidade jurídica serve aos interesses escusos do grande capital, negando direitos ao acusado, reproduzindo jurisprudências limitadoras de garantias constitucionais, perseguindo Advogados e Defensores e estigmatizando Promotores e Juízes que ousam pensar e atuar sob uma perspectiva de respeito aos direitos fundamentais.

As atuais pulsões punitivistas são perfeito fruto de juristas que servem aos interesses políticos de parcela bem definida da sociedade e aos interesses punitivistas midiáticos. É cada vez mais notório que a escolha daqueles a serem investigados é seletiva e pautada por motivação política, ao mesmo tempo em que os direitos e garantias fundamentais passam a ser apresentados como obstáculos a serem afastados em nome da eficiência repressiva. Por último, a defesa criminal é objeto de perseguição inquisitorial pelas agências do sistema penal, que intimidam e restringem ainda mais os direitos do acusado.

Mas os poderes instituídos não afetam a sociedade somente por meio de ação direta: perante os holofotes, a Justiça brasileira empenha enorme esforço para parecer rigorosa, mas é omissa em investigar e controlar os abusos autoritários dos agentes policiais. É condescendente com os homicídios perpetrados pelo Estado enquanto alcançamos um dos patamares mais altos de mortes violentas por armas de fogo no mundo.

Ensina-nos a história que contextos de crise política e econômica são campos férteis para discursos e práticas autoritárias. Por estas razões, nós, juristas reunidos no II Seminário de Direito Penal, Criminologia e Processo Penal em homenagem ao Professor Doutor Winfried Hassemer, munidos das armas da crítica, afirmamos ao povo brasileiro que não aceitaremos qualquer tentativa de golpe, nem cederemos ao mais vulgar punitivismo em voga, defendendo de maneira intransigente a legalidade democrática e a soberania popular.

Não cederemos ao conformismo e ao retrocesso de direitos do acusado. Reivindicamos um sistema de justiça criminal despojado de sanhas autoritárias, um Direito Penal verdadeiramente constitucional e democrático.

Retomemos a luta pela Democracia iniciada na resistência anterior a 1988.”

Fonte: Agência PT de Notícias

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2 Comentários

  • Quem está investigando quem meu amigo? Quem está acusando quem de corrupção? Quem deveria zelar pela lei e imparcialidade o faz? Alguém tem Moral para assumir a presidência desse país? O Dinheiro das empreiteiras foi distribuído entre os partidos, PT; PSDB; DEM; entre outros… Qual o seu partido? Porque os outros não aparecem na mídia sendo investigados, pois são…
    Autoritarismo? Fascismo? Não!!! Democracia SIM…

    Toda corrupção deve ser e será punida conforme a lei e constituição do estado de direito democrático.

  • “O processo de impeachment sem embasamento legal rigoroso de um governo eleito democraticamente”. Se intelectuais escreveram isso podem rasgar seus diplomas, pois talvez tenham comprado, o processo de impeachment é POLÍTICO, nada tem a ver com processo legal ou judicial, o Collor, por exemplo, foi inocentado pelo STF, mas teve que renunciar, uma coisa não é pré-requisito de outra. Além disso, as pedaladas PROVAM que a eleição foi ganha por intermédio de ilegalidades, só fizeram isso no ano eleitoral para não perder votos, isso é óbvio ululante, então a eleição foi ilegítima e roubada! O TCU é órgão técnico e o governo foi reprovado tecnicamente. A Lava-Jato está prendendo petistas um atrás do outro, está PROVADO que o PT recebeu dinheiro escuso e o utilizou na eleição. Então o esquema de corrupção maior que a Humanidade já viu não é motivo de impedimento? A Compra de Pasadena não foi um crime de lesa-pátria? A nomeação e insistência em manter no cargo a famigerada DesGraça Foster na Petrobrás, onde ocorreram verdadeiros escândalos, verdadeiros assaltos aos erário, não é motivo para impedimento???? Ora, meus senhores, façam-me um favor…

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