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Agenda Brasil: quais as propostas de Renan Calheiros?

Agenda Brasil: quais as propostas de Renan Calheiros?

Agenda Brasil: quais as propostas de Renan Calheiros? – Crédito: Jane de Araújo/Agência Senado

 

O presidente do Senado, Renan Calheiros, propôs à presidenta Dilma a chamada Agenda Brasil, um conjunto de medidas fiscais, sociais e tributárias para contenção da crise econômica.

A presidenta Dilma Rousseff parece ter aderido às propostas do presidente do senado, Renan Calheiros; o peemedebista está aglutinando aliados ao seu discurso de auxilio ao governo para barrar as pautas-bomba (este neologismo político que figura cada vez mais nas manchetes da grande imprensa) e abafar a crise econômica. Desde que surgiu a ideia das pautas-bomba, a base aliada procura um personagem político capaz de desarmá-las e salvar o governo da guilhotina; como Temer se mostrou temeroso e não quis adentrar na briga de grandes cães, o papel caiu no colo do Renan, este político brasileiro que nasceu no longínquo governo Collor e se apresenta agora como ‘o salvador da pátria’.

Numa análise preliminar, é preciso pensar nas propostas do presidente do Senado. A chamada Agenda Anticrise ou Agenda Brasil, segundo informações dos jornais e agências de notícias, prevê a votação de 27 pautas importantes para o cenário econômico. Renan Calheiros já se antecipou dizendo que no Senado não vai haver pauta-bomba. Significa que, mesmo à revelia de Eduardo Cunha, o senador vai estreitar os laços mais uma vez com o governo. A partir deste foco, é possível pensar que o Congresso Nacional começa a rachar: a Câmara segue votando contra o governo e o senado vai ganhar ares mais progressistas. Quem diria!

Eduardo Cunha, do alto de seu destempero, disse que a presidenta Dilma Rousseff somente enxerga o Senado. Dilma enxergaria a Câmara dos Deputados não fosse aquele lugar berço reacionário da política brasileira nesta legislatura. Cunha jamais fez esforço para dialogar com o governo; aliás, ele nem sequer votou na presidenta e nunca mostrou espírito republicano. Chegou ao poder não para se estabelecer como faz a maioria dos políticos, mas para fincar os pés na Câmara e transformar todas as pautas institucionais em interesses pessoais. Ainda que a agenda proposta por Renan Calheiros descaracterize a essência do governo – que é inapelavelmente prejudicada desde a eclosão da crise – é preciso atentar para as necessidades de dialogar.

O Senado votará matérias importantes para o governo como revisão, aperfeiçoamento e regulamentação de marco jurídico em áreas de investimento; bem como reformas e regulamentações no setor de impostos, entre outras alterações que visam amainar a crise através da melhoria do ambiente de negócios, equilíbrio fiscal e proteção social. A presidenta Dilma Rousseff se mostrou bastante entusiasmada com as propostas do Senado e deve dialogar com Renan Calheiros que nesta terça-feira se encontrou com ministros do governo. Ao sair desta reunião, Renan disse que o impedimento de Dilma Rousseff seria “botar fogo no Brasil” e “não é isso que nós [senadores] queremos.”

Há algumas semanas, o presidente do Senado falou que o mês de agosto seria “nebuloso” para a política brasileira; talvez tenha feito referência, naquele momento, aos truculentos mandados de busca da Polícia Federal e do MPF para a investigação da Operação Lava Jato (Renan é um dos investigados); talvez tenha feito referência às manifestações do dia 16 ou à intransigência do próprio Congresso Nacional na discussão das pautas essenciais ao governo. O que se pode prever deste mês é uma imbricada conjunção de conchavos e conspirações que parecem jamais ter fim. Na oscilação dos interesses, Senado e Câmara dialogam com governo e oposição, racham entre si, voltam a conchavar, propõem ideias e silenciam ao mesmo tempo. Agosto é mesmo um mês nebuloso para a política nacional.

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