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Veja publica mais um factoide sobre Lula

Veja: a milésima capa contra Lula

Veja: a milésima capa contra Lula – Crédito: Reprodução

 

Pela enésima vez uma edição “bombástica” de Veja acaba como um traque. Jornalismo deixou de ser o foco da publicação da Abril e os fiascos se multiplicam edição após edição.

Desde o início do governo Lula as capas da revista Veja podem ser observadas por dois aspectos: o primeiro por pura curiosidade para saber como se engendra uma ficção; e a segunda para analisar metódica e teoricamente a ciência dos signos e coisas afins. Ultimamente eles não têm merecido sequer uma olhadela: a Veja já acusou o ex-presidente Lula de inúmeros crimes e lhe imputou dezenas de outras transgressões que se desfazem no ar feito bolha de sabão; é feito bolha de sabão que se dissipa a edição da Veja, quinzena após quinzena. Ninguém a toma por fonte senão os replicantes da mídia golpista ou os nobres revoltados do Higienópolis.

Tão rápido a última edição chegou às bancas, os advogados de Léo Pinheiro, empresário da OAS que, segundo a Veja, aceitou a delação premiada e teria revelações bombásticas para fazer sobre Lula, desmentiram a revista sem mais. “A reportagem é mentirosa e irresponsável”, disse Edward Carvalho, um dos advogados de defesa de Pinheiro, ao Broadcast Político, serviço de notícias Agência Estado. Nenhum grande órgão da imprensa, nem mesmo os tradicionais, nem mesmo os simpatizantes da escandalização, nem os trôpegos jornais sensacionalistas deram vazão ao conjunto de argumentos-fumaça criados pela publicação da Abril para se desfazerem no ar.

Panfletária e não jornalística

A Veja desmerece críticas; ultrapassou um estágio já avançado de desrespeito à ética jornalista porque nela são publicados fatos quase nunca comprovados. O reacionarismo ganhou espaço em sua redação que beira o mau-caratismo. Sempre pode se esperar uma matéria irreal. Na semana passada, a jornalista Nathalia Watkins, participando do Roda Viva, da TV Cultura, questionou o escritor cubano Leonardo Padura acerca da miséria em Cuba. Padura se safou bem da questão e disse que havia mais gente passando fome num quarteirão de são Paulo do que em toda Cuba. Mais tarde, Nathalia, que trabalha na Veja, admitiu em sua conta pessoal no Facebook que fez apenas “as perguntas que o Augusto [apresentador] mandou”. Augusto Nunes é também jornalista da Veja.

Se o amigo leitor pesquisar no Google Imagens quantas capas a Veja publicou sobre e contra Lula verá um mosaico panfletário de ódio à esquerda. Se o leque da pesquisa for ainda mais aberto, poderá encontrar, além da ojeriza esquerdista, uma menção honrosa aos tucanos, como aquela imagem do Aécio Super-herói numa capa de 2010 ou uma entrevista do senador às beiras da decisão eleitoral de 2014. Eles têm um lado e ainda insistem na ideia de que são imparciais e lutam contra a corrupção no país. Já vai longe o tempo em que Policarpo Jr., diretor da sucursal da Veja em Brasília andava lado a lado com Carlinhos Cachoeira; talvez por amnésia, aquela seletiva, que costuma arrefecer o ódio dos antipetistas quando o calo lhes aperta, tenha feito a Veja esquecer as falcatruas que alguns de seus jornalistas cometeram e continuam cometendo.

A solidez da imprensa está na credibilidade

A revista Veja, entretanto, comete as mesmas falhas da maioria dos órgãos de imprensa que são claramente contrários ao governo, mas por necessidade dos patrocínios, vestem aquele manto mentiroso da imparcialidade. A revista Época trilha os mesmos caminhos da revista do grupo Abril. A questão não é criticar o Lula; é o modo como se critica. A imprensa perdeu o tino da história. E não há explicação plausível para esta perseguição sem antes entender o que houve nos oito anos de governo de um ex-metalúrgico. Quando os pobres brasileiros adquiriram a independência e a possibilidade de usufruir dos mesmos bens que uma parcela restrita da sociedade centralizava, houve uma ruptura histórica da conjuntura social existente até então. E esta ruptura jamais foi ou será aceita pelas classes hegemônicas. E para estas classes, Lula é o culpado por tudo.

A grande imprensa entrou neste jogo porque também ela é hegemônica, reacionária, conservadora e tradicional, para não dizer velha, arcaica e obsoleta. Ainda existe muito jornalista acreditando que a imparcialidade existe e que cumpre com seus valores de exibir a notícia respeitando as partes envolvidas. A grande mentira destas últimas décadas no Brasil foi o discurso de imparcialidade dos grandes órgãos de imprensa. Eles nunca foram imparciais e nunca usufruíram de uma coisa que a substitui: a credibilidade. Com tantas capas que se assomam aos feeds de imagem, nenhuma delas com uma manchete verossímil, é possível acreditar na credibilidade de Veja? Como crer num veículo de comunicação que é desmentido peremptoriamente após lançamento de uma edição dita bombástica?

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