Blog do Mailson Ramos

O PT e sua recente crise de identidade

O PT e sua recente crise de identidade

O PT e sua recente crise de identidade – Crédito: Reprodução/Portal O Dia

 O PT assumiu o poder em 2002 com a vitória do ex-presidente Lula. Foi aquele o passo inicial para uma alteração identitária nunca vista antes na política brasileira.

O PT permaneceu desde sua criação até a vitória do ex-presidente Lula como um dos pouquíssimos partidos brasileiros capazes de defender o bastião da ética política. Foi tão somente através deste poder que ele municiou a militância em busca de novos ares para o Brasil. Naquele momento de desgaste da imagem do político brasileiro, após longos oito anos de FHC, o Brasil aportara para uma empreitada, cuja esperança foi demarcava pela simbologia clássica do “começar de novo”.

O Brasil abriu os braços para a aceitação de uma nova conjuntura política definida pela liderança popular do Lula. O Brasil voltou a se enxergar como sempre mereceu, mas nas entranhas da política tudo continuava da mesma forma. O PT adquiriu o espírito do PSDB quando este governava o país; adotou suas fórmulas, sobretudo aquelas que lhe concediam a ancoragem necessária para a manutenção do poder.

Um partido político é uma entidade formada por diversos membros e sua estrutura visceral (regras, estatutos, regulamentos e cultura) é construída a partir de um senso comum no momento da fundação. O momento da fundação é apenas um aparato histórico. As formações e conformações obtidas com o tempo é que moldarão de fato a identidade de um partido em cada época. Não é possível saber se os petistas perceberam estas alterações constantes de identidade, mas o fato é que eles aderiram modus operandi da maioria.

O PT demonstrou fragilidade quando não discutiu a Lei de Meios e centralizou, assim como fez o PSDB, as receitas publicitárias para os grandes grupos de comunicação; tem sido omisso em defender a presidenta Dilma Rousseff e baixou a cabeça diante das críticas que vem recebendo. O que constrange é a percepção da seletividade do judiciário, a midiatização dos crimes petistas, o circo armado pela elite intransigente diante da tragédia do partido do governo.

É a extinção do PT? Evidente que não. A história nos diz que na política nada parece tão definitivo. Um fato, uma reviravolta, uma construção simbólica da realidade poderá reconduzir o PT a um momento mais tranquilo; mas não é agora e nem nestas condições. Porque devemos lembrar que os partidos são entidades e as pessoas que fazem parte de sua história – boas ou ruins – hão de passar. Há de passar o tempo, curarem-se as feridas, corrigir os erros. Os ventos que sopram do passado podem favorecer o futuro.

Há 95 anos nascia o grande professor Florestan Fernandes, um homem cuja história foi transplantada aos momentos iniciais do Partido dos Trabalhadores, em 1980. Dele é possível resgatar algumas considerações que podem ser, ainda hoje, caras ao PT. A política brasileira, em geral, precisa reviver momentos novos e abandonar a mesquinharia da corrupção, dos conchavos e dos interesses pessoais. A crise de representação é mais grave do que se possa imaginar. E ela não atinge apenas o PT.

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