Blog do Mailson Ramos

Política: um relato pessoal

Política: um relato pessoal

Política: um relato pessoal – Crédito: Reprodução

 

A política é muito mais do que um mecanismo inter-relacional; a política é um instrumento indispensável para o bom cidadão, para o sujeito que decidiu mudar a sociedade em que vive.

A política não é intrínseca ao brasileiro. De modo geral somos avessos aos conflitos, à cidadania, às discussões ideológicas, ao mal estar da ideia contrária. As crianças do nosso país não crescem com um espírito libertário que as faça, na primeira juventude, entender que sem política corre-se o risco de ser amordaçado pelo enviesado discurso midiático. Corre-se o risco de não contestar o contestável, não lutar por brigas válidas, nunca questionar o que precisa ser questionado. O sujeito apolítico costuma nascer numa família onde as ordens patriarcais ainda organizam e distribuem os votos; é sensível à publicidade e nela permanece se na tábua rasa de suas impressões primaciais se encontram os símbolos (sons, cores, imagens) das eleições.

E no Brasil não basta dizer que entende de política. O “entender” de política aqui adquire um senso muito superficial. A política não exige que sejamos teóricos ou que tenhamos participado da academia para compreendê-la, mas é preciso estar alinhado a ideologias, ideias, linhas de ação e pensamento. Devemos ser capazes de estabelecer pontes entre a política e a cidadania. E um dos motivos mais verdadeiros para se adentrar no mundo da política é pensar no bem comum. Embora tenhamos exemplos cotidianos de sujeitos que utilizam de seus cargos, poder e influência para atingir objetivos próprios, a política é o exemplo da democracia possível. É a favor desta visão que devemos lutar.

Na escola, os jovens são preparados para nada contestar. E os poucos mobilizados em adentrar na história da política e exigir seus direitos de cidadão são sempre taxados como revolucionários, polêmicos, demasiadamente altruístas. Felizes daqueles que tiveram professores capazes de mostrar o que é cidadania. Ninguém aprende a ser político do dia para a noite. Precisamos de uma dose de conhecimento histórico, uma boa visualização do mundo a partir deste conhecimento e uma vontade intensa de construir uma sociedade mais justa e igualitária. Somos egoístas e preconceituosos com a política. Brasília não nos representa porque estamos muito distantes dela em todos os aspectos.

Deparado diante da urna eletrônica, em sua primeira votação, o jovem não tem mecanismos próprios para escolher; vota junto com a maioria, vota no candidato que fala melhor, vota pela consideração dos colegas ou dos pais. Há nisso uma desvirtuação da verdadeira política. A coisa mais bonita que se pode ver é uma juventude politizada, brigando por seus direitos, entoando hinos de liberdade e pressionando o poder estabelecido, seja ele qual for. Do mesmo modo, uma juventude inerte é a florescência estéril de uma sociedade. Não há de vingar bons frutos ou frutos nenhum. As famílias têm a mesma culpabilidade das escolas. Os pais conscientes devem afugentar o pensamento monolítico. Vivemos a era da diversidade de ideias. A vida política deve ser uma preparação para a pessoal.

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