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Papa Francisco contra o monopólio da mídia

Papa Francisco contra o monopólio da mídia

Papa Francisco contra o monopólio da mídia – Crédito: Jose LIrauze/ABI

 

Em discurso forte contra a monopolização dos meios de comunicação, o Papa Francisco condenou a centralização de poder na mídia. E ainda criticou o capitalismo com aquilo que chamou de “ditadura sutil”, bem ao seu estilo, bem ao estilo do papa latino-americano.

A Igreja Católica, através dos padres conciliares reunidos no Concílio Vaticano II, em 1964, aprovou o decreto Inter Mirifica. Este decreto estabelecia políticas e diretrizes para a comunicação da Igreja e para o correto uso dos meios de comunicação. De qualquer modo, os prelados desejavam pautar a comunicação porque entendiam nela uma possibilidade de diálogo com a sociedade moderna. O pensamento conservador da Igreja mantém a Inter Mirifica intacta até hoje como o seu mais absoluto documento sobre a comunicação. Mas hoje temos o Papa Francisco e ele tem sempre coisas novas a dizer e ensinar. Sobre tudo.

Em visita à Bolívia, nesta semana, Francisco tocou na ferida dos grupos que monopolizam a comunicação. Quando se podia esperar que um papa tocasse em feridas tão profundas na nossa sociedade como fez este homem de branco que aí está? A Igreja precisava de um papa com visão social, um latino-americano, um pastor com o odor das ovelhas. Quando o papa falou em monopólio da mídia, acertou em cheio a ânsia da Rede Globo; acertou a veia da mídia concentrada, além de determinar a urgência da desconcentração de poder monopólico destes grupos nos países da América Latina.

Durante seu discurso na Bolívia, Francisco disse que “a distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho não é mera filantropia, e sim um dever moral, e mais forte ainda para os cristãos, já que se trata de um mandamento, do dever de devolver aos pobres e ao povo aquilo que lhes pertence”, e que “a concentração monopólica dos meios de comunicação pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural”.

Estas palavras afetam diretamente a Rede Globo. A mesma Rede Globo que fecha os olhos, aliás, renega a Lei de Meios e coloca, ministro após ministro, governo após governo, uma pá de cal sobre ela, continua sendo o obstáculo principal para a democratização da mídia. O Papa Francisco mostra que as relações entre poder e concentração da mídia são cada vez mais obscuras.

Além disso, o papa também classificou o capitalismo como uma “ditadura sutil”, e questionou “este sistema que impôs a lógica do lucro que não se importa com nada, que não pensa na exclusão social ou na destruição natureza que se gera em seu nome”. A sensibilidade do Papa Francisco foi questionada no início do seu pontificado – e talvez seja até hoje –, entretanto, ele é uma novidade em meio a tanto conservadorismo e burocracia dentro do Vaticano. Por certo, o papa continuará explorando os mesmos discursos que nos enchem de esperança.

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